Presidente da OAB a Bolsonaro: “A paciência que terminou é a da sociedade'

| FOLHA DE DOURADOS


O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, voltou a reagir a declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre sua impaciência com os limites que vêm sendo impostos por outros Poderes, como as seguidas derrotas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso. Na tarde deste domingo (03/05), Santa Cruz rebateu assim a fala do chefe do Executivo federal pela manhã, em novo ato antidemocrático:

'Os limites que existem são os da Constituição, e valem para todos, inclusive e sobretudo para o presidente. A única paciência que chegou ao fim, legitimamente e com razão, é a paciência da sociedade com um governante que negligencia suas obrigações, incita o caos e a desordem, em meio a uma crise sanitária e econômica', atacou o líder dos advogados brasileiros.

Horas antes, Bolsonaro voltou a discursar em uma manifestação contra os outros poderes e com pedidos de intervenção militar. Em transmissão ao vivo do Palácio do Planalto, o presidente subiu o tom:

'Queremos a independência verdadeira dos três poderes, e não apenas uma letra da Constituição, não queremos isso. Chega de interferência. Não vamos admitir mais interferência. Acabou a paciência. Vamos levar esse Brasil para frente. Acredito no povo brasileiro e nós todos acreditamos no Brasil'. E emendou: 'Peço a Deus que não tenhamos problemas nessa semana. Porque chegamos no limite, não tem mais conversa'.

Bolsonaro chegou por volta das 12h ao Palácio do Planalto, acompanhado por escolta de segurança.

Sem máscara, o presidente da República se aproximou da grade que o separa dos manifestantes e acenou para quem estava no local. O chefe do Executivo avisou aos apoiadores que 'não admitirá interferência no governo' e afirmou que 'a paciência acabou'.

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de suspender a nomeação de Alexandre Ramagem, amigo do presidente e dos filhos, para a direção da Polícia Federal (PF) foi a última em uma série de tentativas de impor limites a Bolsonaro, que tem deixado o presidente a cada dia mais irritado com o que chama de supostas interferências de outros Poderes no Executivo.

Nos discursos, Bolsonaro tem ressaltado que os Poderes devem ser independentes. A nomeação de Ramagem foi suspensa justamente porque o ex-ministro Sergio Moro, ao pedir demissão, alegou que o presidente é que tentava interferir na PF. A ruidosa saída do ex-juiz do ministério gerou a abertura de um inquérito pelo STF para investigar os dois, Bolsonaro e Moro.

Do Metrópoles



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