Todos nós sabemos que, embora poucos, existem alguns programas que têm como objetivo beneficiar as pequenas e médias empresas no Brasil. Porém, quando se fala da atenção das instituições financeiras, principalmente as bancárias, também é certo que o respeito que esses pequenos e médio empresários merecem e têm direito, deixa muito a desejar.

Dessa carteira de clientes, composta por milhares de profissionais espalhados pelo País, raros são aqueles visitados por gerente, subgerente, ou outro responsável por algum setor de linha de crédito, com aporte financeiro, procurando atender esse importante segmento que, embora façam “vista grossa”, é de grande relevância na composição do mercado nacional. 

Constantemente o Governo usa a imprensa para anunciar a liberação de recursos, prometendo juros baixos, especificamente para atender, sobretudo, o “capital de giro” das médias, pequenas e microempresas, além dos autônomos e outros empreendedores individuais. É quando começa uma nova maratona que, se não for aceita, irá “atrapalhar” um possível bom andamento das negociações.

Os responsáveis pelas pastas tentam “empurrar”, na marra, uma gama de serviços contendo diversos itens embutidos diretamente na conta corrente e com juros abusivos; em se tratando de cheque especial e/ou cartão, então... nem se comenta.

A burocracia para se conseguir recursos para capital de giro é uma realidade quase noventa e nove por cento desumana, e apesar de atualizar o cadastro quase todo dia, o que vale mesmo nesse campo é o montante diário que entra no caixa da empresa. Aliás, no quesito bom ou mau pagador, as instituições dão as cartas e jogam de mão, sabem a hora que o cidadão/empresário deita e levanta e até quantas vezes vai ao banheiro durante a noite.

São cientes dos bons, dos “mais ou menos”, dos ruins e dos péssimos pagadores.

Outro dia um empregador disse uma coisa interessante: “Qual incentivo dos governos federal, estadual ou municipal para quem procurar cumprir religiosamente com suas obrigações?”, referindo-se ao recolhimento de impostos, dentre outros.

O momento excepcional pelo qual passa toda humanidade com o aparecimento dessa Pandemia produzida pelo Covid-19, serve para uma reflexão mais amiúde sobre o comportamento humanitário das instituições financeiras para esse segmento profissional responsável por gerar empregos, renda e auxiliar no progresso dos municípios, dos estados, enfim, do País.

Recentemente foi instituído pelo governo federal um programa para os bons pagadores: O Cadastro Positivo. Seu histórico de pagamentos aponta cada vez que você paga alguma conta ou boleto em seu CPF; aí o cadastro positivo registra esse pagamento.

Da mesma forma acontece quando você deixa uma conta atrasada. Todas as movimentações financeiras ficam registradas nesse cadastro. Ele é como um currículo financeiro avaliando se você é ou não um bom pagador.

Ocorre que esse quadro positivo é nivelado por baixo, pois parece que a base é feita tendo como parâmetro aqueles que se utilizam de atos reprováveis com intuito de tirar proveito sem se preocupar com as consequências.

Sendo assim, fica uma simples pergunta: “Há salvação?”

 

Jornalista

[email protected]



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE