É dom divino cantar, mas não qualquer cantar. Falo do cantar que atinge o coração e chega ao centro do regato produtor das lágrimas. Aquele que acalma as dores, aquele que anuncia a felicidade, que por vezes também lhe falta. Aquele cantar que pinta as cores do horizonte embala ou desperta as ilusões amorosas e permite acontecer o impossível. E como é difícil resistir ao seu chamado principalmente quando o som mais alto da música se mistura com as batidas do próprio coração

 

Qual deve ser  a responsabilidade daqueles que fazem esta batida ser tão intensa. Eles são os verdadeiros regentes da orquestra da paixão e nesse viés  nasceu a vocação do cantor Álefe Andrey. Sua carreira começou em Novo Horizonte do Sul, aonde foi criado, mas recebeu forte influência familiar, pois o pai  toca bateria, o avô acordeon, a mãe ajudou a comprar o primeiro violão e a namorada  é a fã número um.

 

Para muitos pesquisadores e críticos musicais, a música sertaneja é centenária, mas certamente veio sofrendo diversas modificações. Entretanto é pacífico que o pioneiro do gênero foi o jornalista e escritor Cornélio Pires. Ele podia ser considerado um grande mecenas pois levava para os grandes centros os costumes dos “caipiras” através de encenações teatrais e cantores de época. Por volta de 1912  ele lançou o livro “Musa Caipira” recheado de versos típicos. Já nos anos 20 foi realizada uma semana para divulgação da arte brasileira sendo montado pela primeira vez apresentações com instrumentos tais que a viola caipira e demonstrado os ritmos da moda de viola, do Lundu e Cururu valorizando o trabalho de Cornélio Pires. Entretanto os primórdios registrados contam de 1924 ( A turma caipira de Cornélio Pires) aonde participavam Caçula e Sorocabinha. Mesmo assim o primeiro registro fonográfico do sertanejo aconteceu em 1929 quando Cornélio, decidiu tirar do próprio bolso o dinheiro para a gravação e edição do primeiro álbum, que em poucos dias de lançamento esgotou-se nas lojas brasileiras. E certamente esta dificuldade não é mérito apenas da música sertaneja. Na verdade como tantas coisas na vida, sabemos que tudo tem seu preço.

 

Sabendo disso, quando citamos o nome de Álefe Andrey, muitas vozes se levantam, afirmando ser ele, um músico eminentemente sentimental e que em seu coração, sempre haverá espaço para uma moda de viola, na janela da pessoa amada, e nas choupanas dos amigos. Isso fez com que o  tenhamos escolhido   para homenageá-los neste espaço. Porque levar a emoção e a alegria aos lares já é opção arraigada nas cordas do violão e isso para nós tem valor, além disso, o fato de sua obra poder provocar alegrias, saudades, sorrisos, lágrimas e todas as emoções que podemos imaginar, e saber que de alguma forma você pode fazer parte daquele momento, se torna uma pequena síntese do trabalho que Álefe Andrey, tem, feito, faz e continua fazendo pela música regional, com todo o ímpeto de Cornélio Pires e a percepção sensorial, dos atuais Hugo & Guilherme, entre tantos outros ícones da nossa música. Ou seja da Raiz a Bachata. Certamente; e justamente por esse motivo, está gravando com letras douradas, seu nome na constelação musical e poética do nosso Estado.

 



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