Ministério Público Suíço abre investigação contra Infantino por suspeitas de conduta criminosa

| TRIVELA/FELIPE LOBO


A Promotoria Pública Federal Especial da Suíça abriu investigação criminal sobre o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Surgiram suspeitas depois de procedimento investigatório em reuniões que o dirigente teve com o Procurador-Geral da Suíça, Michael Lauber, e outro funcionário do órgão, Rinaldo Arnold. Lauber é investigado por irregularidades e, por isso, as suspeitas aumentaram.

Segundo Infantino, as reuniões foram marcadas pouco depois dele assumir o cargo de presidente da Fifa, em fevereiro de 2016, além de outra em 2017. Os encontros seriam para auxiliar as investigações do então procurador, Lauber, sobre denúncias de corrupção na Fifa durante a gestão do antigo presidente da entidade, Joseph Blatter. O procurador atual, Stefan Keller, prosseguiu com investigações sobre as reuniões e, em comunicado, o conselho federal suíço afirmou que Keller concluiu que existem indicações de conduta criminosa relacionadas às reuniões.

“Trata-se de suspeita de abuso de cargo público (artigo 312 do Código Penal Suíço), quebra de sigilo oficial (artigo 320 do Código Penal Suíço), assistência a criminosos (artigo 305 do Código Penal Suíço) e incitação a esses atos', diz comunicado da Promotoria da Suíça em relação aos procedimentos abertos envolvendo o presidente da Fifa, Infantino, além de Michael Lauber e do funcionário Rinaldo Arnold.

O comunicado informa ainda que Keller está buscando aprovação do comitê do parlamento suíço para abrir procedimentos criminais contra Lauber, que se demitiu na última semana depois de ser acusado de mentir sobre as reuniões em 2017, o que ele negou. Lauber e Infantino negaram qualquer irregularidade. Arnold é considerado um amigo de longa data de Infantino e para quem o presidente da Fifa pediu para conseguir uma reunião com Lauber.

Infantino rejeitou repetidamente as alegações que havia algo errado em ter algumas das reuniões e descreveu as queixas como absurdas quando questionado sobre isso em uma reunião do Conselho da Fifa, em junho.

O dirigente insistiu que uma reunião com o Procurador-Geral da Suíça era “perfeitamente legítima' e “perfeitamente legal' e disse que é “parte dos deveres fiduciários do presidente da Fifa', dado o volume de alegações serem feitas contra antigos dirigentes da Fifa e sob investigações na Suíça e também nos Estados Unidos.

Desde maio de 2015, diversos dirigentes ligados à Fifa e às Confederações de Futebol regionais, como Conmebol e Concacaf, foram indiciados, presos e alguns condenados. Um deles é o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, na época ainda no cargo. O escândalo com diversas prisões e que resultou na renúncia de Joseph Blatter e na queda de diversos dirigentes ficou conhecido como Fifagate.

Infantino acabou sendo eleito como um fruto direto disso: além da queda de Blatter, o seu potencial sucessor, Michel Platini, também acabou suspenso por receber um dinheiro em 2011 supostamente por uma consultoria à Fifa entre 1998 e 2002. Platini era presidente da Uefa na época e Infantino seu braço direito, o secretário-geral. Ele foi escolhido como representante, que acabou com grande apoio para vencer a eleição, em 2016 para completar o Mandato que Blatter tinha sido eleito em 2015. Em 2019, Infantino foi reeleito.

Depois da divulgação sobre a investigação, nesta quinta-feira, a Fifa divulgou um comunicado com palavras de Infantino sobre o caso. “Foi o meu foco desde o primeiro dia, e continua sendo, auxiliar as autoridades com investigações de irregularidades passadas na Fifa. Pessoas da Fifa se reuniram com promotores em outras jurisdições pelo mundo exatamente para esses propósitos. Pessoas foram condenadas e sentenciadas, graças à cooperação da Fifa e especialmente nos Estados Unidos, onde nossa cooperação resultou em 40 condenações criminais. Além disso, eu permaneço totalmente favorável ao processo judicial e a Fifa permanece disposta a cooperar com as autoridades suíças para esses fins', diz Infantino na nota.



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