Presidente do Napoli revela conversas com a federação para "criar playoffs e playouts na Serie A"

| TRIVELA/LEANDRO STEIN


Durante todo o Século XX, a Serie A havia registrado dois pentacampeonatos: o da Juventus nos anos 1930 e o do Torino nos anos 1940. A Internazionale repetiria um feito raro na década passada ao também ser penta. Porém, tal marca parece pequena quando a Juventus celebra seu eneacampeonato nesta temporada. E ninguém duvida que os bianconeri possam dobrar o antigo recorde, em busca de seu décimo Scudetto consecutivo em 2020/21. Mesmo em uma campanha morna da Velha Senhora, ninguém conseguiu acompanhar o ritmo até o final.

A discussão sobre as hegemonias é pertinente na Europa. A Alemanha também viu o Bayern de Munique mais que dobrar o recorde de títulos consecutivos na Bundesliga, enquanto o Monaco foi apenas um asterisco no domínio do Paris Saint-Germain dentro da Ligue 1. Espanha (com suas duas potências) e Inglaterra são as únicas grandes ligas que ainda variam um pouco mais os vencedores. E, enquanto uns preferem imaginar uma Superliga para aumentar o equilíbrio, também existem debates sobre outras fórmulas domésticas. Presidente do Napoli, Aurelio Di Laurentiis apontou que os mata-matas passam pela mesa de discussões da federação italiana atualmente.

“Estamos trabalhando com a federação para criar playoffs e playouts na Serie A, acabando com essa consistência prejudicial que houve nos últimos nove anos”, declarou o dirigente, durante conversa com o jornal Il Mattino. De Laurentiis não foi claro o suficiente sobre como funcionariam esses mata-matas e indicou que também pode haver uma briga extra contra o rebaixamento. Além disso, não indicou qual a posição da Lega Calcio, que tem esse poder de decisão. Fato é que o napolitano avalia que a supremacia juventina acaba prejudicando a competição como um todo.

Em outras ligas periféricas pela Europa, há modelos alternativos – com hexagonais ou octogonais decisivos, que carregam parte da pontuação relativa à fase de classificação. Aumentam o número de confrontos diretos, embora não tirem os privilégios de quem faz uma campanha mais consistente desde o início. E, por mais que abram as portas às reviravoltas, não são suficientes para encerrar algumas das hegemonias. Os mata-matas, por outro lado, gerariam uma quebra muito maior, e que fica difícil de imaginar neste primeiro momento.

De Laurentiis tem seus motivos para questionar o impacto que o eneacampeonato da Juventus exerce sobre a Serie A. Menos interesse significa menos dinheiro entrando e o abismo entre os clubes tende a se tornar maior, enquanto a Velha Senhora ganha visibilidade e apelo internacional. Diminuir estas diferenças leva tempo e depende de um cenário econômico favorável que não existe no curto prazo. Assim, não surpreende uma discussão do regulamento. Enquanto a Superliga Europeia gera muita oposição, repensar as fórmulas pode dar algum tempero, ainda que por si não vá reduzir as distâncias fora do campo em relação à Juve. Resta saber qual a posição dos próprios juventinos, que também têm méritos ao construírem tal dinastia, sobretudo após passarem pela segunda divisão.



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