Osvaldo Feitosa de Lima foge das dificuldades do Nordeste e em Dourados realiza sonho de ser advogado


“Se tivesse de fazer outra faculdade, faria Direito novamente”, afirma aos 71 anos

A esperança de uma vida melhor, longe da fome e da seca, fez a família de Osvaldo Feitosa de Lima, pernambucana de Araripina (município que fica a 690 quilômetros da capital Recife), se mudar para Dourados, em 1951.

A maioria dos migrantes nordestinos veio para o interior do então Mato Grosso uno através de políticas de ocupação de terras. A família de Feitosa não foi diferente. Seu pai recebeu um pequeno lote de terra na então Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND), criada pelo Governo Getúlio Vargas.

“Nós, assim como muitas famílias nordestinas, viemos devido às dificuldades que enfrentávamos no Pernambuco, uma seca muito violenta naquela época. Assim que chegamos, meu pai recebeu um lote para produção. Com o tempo, meus avós paternos e meus tios também vieram em busca de melhor qualidade de vida”, explica Feitosa.

Ele relembra da infância e do falecimento de seu pai, José Feitosa de Lima, em um episódio que veio a mudar a trajetória da família. “Perdi meu pai aos 11 anos de idade, quando ele tinha apenas 35 anos, e teve sua vida ceifada num acidente automobilístico próximo a ponte do Rio Anhanduí, em 1960. A minha mãe ficou viúva aos 34 anos,  com uma prole de seis filhos, a mais nova tinha pouco mais de três meses de nascida, e continuou com a sua viuvez até a sua morte, de causas naturais, em dezembro de 1979”.

O pai de Feitosa, infelizmente, não viu ele, nem seus irmãos se formaram, muito menos o nascimento dos netos, mas, com certeza, teria orgulho da criação que Dona Maria de Jesus deu aos seus filhos. “Osório Feitosa de Lima, funcionário aposentado do Banco do Brasil, que reside em Itú/SP: Cicero Feitosa de Lima, Defensor Público do Estado, na comarca de Dourado; Djanir Feitosa de Lima, Corretor de Imóveis também em Dourados e a única filha, Maria Aparecida Feitosa de Lima, Professora aposentada, que reside  em Campo Grande”.

Aos 71 anos, Feitosa tem dois filhos, Thiago Brandão Feitosa de Lima, formado em Ciências Contábeis e Thaís Brandão Feitosa de Lima, bacharel em Direito.

A Carreira

O ano era 1980. Feitosa se formava em Direito pela então Socigran (Sociedade Civil de Educação da Grande Dourados), atual Unigran. Naquele ano, o município de Dourados ultrapassava, pela primeira vez na história, os 100 mil habitantes e o crescimento trazia a promessa de empregos.

“Num teste vocacional que fiz, três tendências foram indicadas no resultado: policial, político  e advogado. Não hesitei e abracei a advocacia. Gosto tanto de minha profissão que se tivesse de fazer outra faculdade, faria Direito novamente”, frisa Feitosa sobre a escolha pela profissão e daquilo que parecia inalcançável para uma família nordestina.

Em 29/08/1980, ele se formou e três meses depois, em 04/11/1980, pegou a carteira OAB/MS 2.443. O Advogado integrou a 1ª turma de Direito da cidade de Dourados, sendo colega de sala do atual Conselheiro Federal Afeife Mohamad Hajj, do qual anos depois vinha a dividir a Diretoria da Subseção, ele no cargo de Secretário-Geral e Afeife Presidente.

No fim dos anos 70 e início de 80, ele terminava a faculdade de direito enquanto trabalhava no Banco do Brasil. “Os primeiros anos na profissão de advogado, como em qualquer outra profissão, não são fáceis. Entretanto, como eu havia trabalhado de abril de 1973 a novembro de 1978 na Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso, na cidade de Dourados e também em Naviraí, logo depois ingressei, por concurso, no quadro de funcionários do Banco do Brasil S.A.”.

Feitosa foi advogado de carreira do quadro Técnico-Científico do Banco do Brasil S.A. No banco, segundo ele, veio à oportunidade de alargar o círculo de amizades e melhorar sua carreira. “As portas foram se abrindo e eu fui construindo e solidificando a minha profissão de advogado. Tive que advogar em quase todas as áreas do Direito, mas a base era mesmo as áreas do Direito Civil, Comercial, Fundiário e Agrário. No geral, além de advogado de carreira do Banco do Brasil, sempre mantive escritório fora do âmbito do jurídico,  como, por exemplo, em Naviraí, Dourados e Campo Grande, pois não havia empecilho legal algum para tanto”. Em 2003, Feitosa chegou a se tornar Instrutor Formador no quadro de Instrutores do Curso de Relações Jurídico-Negociais do Banco do Brasil.

Em 1999 se mudou para Campo Grande. Na gestão 2001/2003, foi membro do Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB/MS.

Para os jovens advogados, ele deixa uma mensagem positiva e de espírito de luta pela carreira.

“a) Tratem os interesses de seus clientes como se fossem os seus próprios interesses;

b) Trabalhem sempre com afinco e coragem, sempre procurando demonstrar que o seu constituinte está com o melhor direito;
c) Nunca deixem de trilhar o caminho da verdade;
d) Nunca venda ilusões aos seus clientes, mas sejam sempre realistas, pois não é demérito algum ser realista. Se o cliente não aceitar as suas orientações, com certeza outros, talvez mais centrados, aceitarão e acreditarão em você;
e) Sejam, sobretudo, humildes, pois em qualquer profissão, o profissional que não se revestir da armadura da humildade, está fadado ao insucesso”.
Compartilhando Conhecimentos

Osvaldo Feitosa de Lima, assim como Aparecidos dos Passos  e Belmira Vilhanueva foram entrevistados pela Equipe de Imprensa da OAB/MS, no Projeto ‘Compartilhando Conhecimentos’. O objetivo da Seccional é trazer ao conhecimento de todos um pouco da carreira e vida daqueles que escreveram a história da advocacia sul-mato-grossense.

 



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