Audiência finaliza instrução de processo de tentativa de roubo a carro-forte

| TJMS


Em uma audiência que durou mais de quatro horas, por videoconferência, a juíza Thielly Dias de Alencar Pithan e Silva, da Vara Criminal da comarca de Amambai, nesta quarta-feira (24), ouviu oito pessoas e interrogou o réu, atualmente recolhido no estabelecimento penal de Amambai.

O réu, um funcionário público municipal, é acusado de participar de uma tentativa de roubo a um carro-forte. O caso teve grande repercussão nacional porque os indivíduos envolvidos no crime eram liderados por suposto foragido da justiça da Bahia e suposto fundador da facção criminosa BDM - Bando do Maluco. Segundo a ação penal, além de tentativa de roubo ao carro-forte, o réu é ainda acusado de envolvimento no roubo de um carro, bens pessoais de duas vítimas, como notebooks, carteiras com documentos pessoais e malas com roupas; sequestro e cárcere privado de um caminhoneiro; porte ilegal de arma de uso restrito e organização criminosa.

Essa foi a última audiência do processo. Nas duas primeiras, realizadas em 30 de janeiro e em 27 de maio de 2020, foram ouvidas 13 testemunhas. Com isso, a instrução do processo foi encerrada e agora a justiça aguarda o cumprimento das diligências requeridas pelas partes. A seguir, serão apresentadas as alegações finais para a prolação de sentença.

O caso – De acordo com o processo, no dia 2 de dezembro de 2019, por volta das 9h30, na Rodovia MS-156, zona rural de Amambai, 20 km da cidade, sentido Caarapó, o réu agiu com outros indivíduos para tentar explodir um carro-forte e roubar os valores transportados.

O fato foi praticado pelos criminosos com extrema violência, considerada pela polícia como estrutura de guerra, quando quatro indivíduos, em um Jeep Renegade, interceptaram o carro-forte, que trafegava de Dourados a Amambai, forçando seus ocupantes a jogarem o veículo em uma plantação. Dois funcionários da empresa de valores conseguiram descer do veículo, fechar a porta e correr para se abrigar no mato em uma fazenda, sob a perseguição de quatro indivíduos armados que atiraram em sua direção. Um motorista de caminhão que transitava pela mesma rodovia, atrás do carro-forte, visualizou a ação e parou, sendo rendido por um dos criminosos e obrigado a fechar a via com o seu caminhão, descer do veículo e permanecer deitado durante a ação dos assaltantes.

Os bandidos tentaram arrombar o carro-forte com duas explosões, mas não conseguiram abrir o veículo. Nesse ponto, o grupo criminoso iniciou ações de fuga do local, incendiando o Jeep Renegade para destruir evidências, e ordenando ao caminhoneiro que os levassem dali e fechasse o primeiro carro que ele visse. No caminho para Amambai, o motorista jogou o caminhão contra um veículo C4 onde estavam dois homens, fazendo-os parar. Um dos criminosos desceu do caminhão apontando o fuzil para as vítimas e, com os demais integrantes do grupo criminoso, o bando fugiu do local levando o carro e os pertences pessoas das vítimas.

A polícia montou barreiras para capturar os bandidos. A Delegacia Especializada de Repressão a Roubo e Resgate a Assaltos e Sequestros (GARRAS) recebeu informação que o fundador do BDM estaria recebendo apoio de comparsas escondido em uma propriedade na região de Aral Moreira. As investigações apontaram que o réu dava apoio ao grupo criminoso.

Cumprindo mandado de busca e apreensão na propriedade rural citada, equipes do Garras, DOF e Bope foram recebidas a tiros, inclusive de fuzis. No confronto, quatro indivíduos do grupo criminoso morreram, dentre eles o procurado fundador do BDM.



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE