45 anos do Estado do Pantanal -João Linhares*


João Linhares. Foto: Arquivo

Há 45 anos, em 11 de outubro de 1977, ganhava concretude um escopo há muito acalentado pelos pantaneiros: nascia o vigoroso Estado de Mato Grosso do Sul (MS), por meio da Lei Complementar n. 31, sancionada pelo então Presidente Ernesto Geisel. Desmembrou-se do Mato Grosso (MT) e foi instalado em 1º de janeiro de 1979. Seu primeiro governador foi o gaúcho Harry Amorim Costa, de Cruz Alta.

Saiba o(a) prezado(a) leitor(a) que a caneta com a qual o Presidente Geisel criou o MS, ao sancionar a mencionada lei, chegou curiosamente às minhas mãos. É uma Parker 51. Ganhei-a recentemente de um estimado amigo, hoje octogenário, que participou da solenidade de formação do Estado em Brasília e que a emprestou ao Presidente da República que, talvez por um lapso do cerimonial, estava sem uma para subscrever o Diploma Legislativo. Pediu aos presentes que lhe cedessem uma e foi das mãos generosas desse amigo, Antonio Ferreira dos Reis, o “Varanda”, que Geisel a recebeu e constituiu MS. Esta história insólita ficou desconhecida publicamente por décadas, até que esse amigo a revelasse pra mim e me presenteasse com esse magnífico acervo. Hoje, trago-a para conhecimento difuso, pois a ocasião convém. Essa caneta guarda, na verdade, a memória de uma luta de autonomia de MS que se arrastou por quase um século e que se mostrava repleta de diversos capítulos.

Com efeito, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a população do que atualmente é o território de MS, liderada por Vespasiano Martins e pelo general Bertoldo Klinger, apoiou os paulistas com tropas de diversas cidades. Estima-se que foram quase três mil homens (cidadãos comuns, de diversas profissões) que pegaram em armas e pelejaram perto de três meses, com um sonho de uma nova constituição e pretendendo a emancipação político-administrativa do Estado. Nesse período, os revolucionários do sul de Mato Grosso adotaram o nome para essa região de “Estado de Maracaju”.

O Estado é uma terra promissora, forjada pela amálgama fraterna e indissolúvel de distintos povos, que aportaram em MS e fizeram-no prosperar, dentre os quais se frisam indígenas, paulistas, afrodescendentes, gaúchos, paranaenses, nordestinos, mineiros, goianos, cariocas, paraguaios, nipônicos,