Wilson Mattos busca votos em 87 aldeias para ser o 1º deputado federal indígena de MS

| FOLHA DE DOURADOS


Wilson Matos advogado/radialista/jornalista. Foto: Divulgação

O advogado Wilson Mattos da Silva, 61 anos, já foi cortador de cana, boia fria e agora pretende fazer história nas eleições deste ano: tornar-se o primeiro indígena deputado federal de Mato Grosso do Sul. Ele é casado, pai de seis filhos, nasceu e vive até hoje na Aldeia Jaguapiru, em Dourados.

Para isso, o candidato do Podemos está percorrendo todas as 87 aldeias do Estado, das quais 75 são rurais e 12 urbanas, distribuídas em 73 dos 77 municípios sul-mato-grossenses.

Advogado atuante, articulado e conhecido em todas as aldeias, Wilson Mattos pretende conquistar dezenas de milhares de votos entre os 79 mil eleitores indígenas, dos quais 23 mil residem em cidades, segundo informações da Justiça Eleitoral.

Além de buscar expressiva votação nas aldeias, o candidato, que já trabalhou na Funai de 1999 a 2000 e que milita na política desde 1996, tendo sido candidato a vereador e a prefeito, também conta com boa votação nas zonas urbanas de Bonito, Amambai, Caarapó e de Dourados.

Ele está empolgado pela receptividade que vem encontrando. “Só sabe os problemas indígenas quem é indígena”, pondera acrescentando que os índios estão conscientes da necessidade de representatividade no Congresso Nacional. “Há empolgação em torno de minha candidatura por eu estar num partido forte, que deve ficar com pelo menos uma das oito vagas de MS na Câmara dos Deputados”, afirma.

Em Brasília, se eleito, Wilson Mattos lutará contra o marco temporal que, em síntese, pretende restringir as demarcações de terras indígenas apenas àquelas áreas que estivessem sob a posse comprovada dos povos originários em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição.

O candidato indígena do Podemos também trabalhará para arquivar o PL 490, que trata-se de parte de um conjunto de investidas que têm sido apresentadas no Congresso Nacional para questionar os direitos originários dos povos indígenas brasileiros às terras.

Um outro compromisso é com a regularização das retomadas – terra que foi ocupada novamente pelos povos indígenas, cuja ocupação era originária.