Avanços no agro de MS consolidam políticas públicas, organizações de base e ampliam tecnologias para o campo

A área rural do estado é feita por políticas públicas, organizações sociais, tecnologia de ponta e, há 45 anos, tem como principal aliada a Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul. Com quase cinco décadas de história e sendo uma das entidades de base mais atuantes, a Famasul acumula conquistas feitas pensando na sociedade como um todo.

| G1 / DéBORA RICALDE, JOSé CâMARA, RAFAELA MOREIRA, RENATA BARROS E THAIS LIBNI, G1 MS


Cadeias produtivas do agro se fortaleceram ao longo dos últimos 45 anos. — Foto: Reprodução

Mato Grosso do Sul tem como parte do DNA o agronegócio. O passado da segunda unidade federativa mais jovem criada no Brasil foi fundamentado em cima da terra vermelha e das condições climáticas favoráveis ao campo. Pela participação ativa no âmbito rural, ao longo dos quase 45 anos de existência, a história de MS se mescla com a da Federação da Agricultura e Pecuária do estado (Famasul).

Em 11 de outubro, Mato Grosso se dividia, e o Brasil dava as boas-vindas ao, há época, "irmão caçula", Mato Grosso do Sul. Meses após a emancipação, surgia a Famasul como uma entidade completamente voltada para os homens e mulheres da área rural. Em mais de quatro décadas, a federação se despontou como grande aliada e propulsora de avanços em políticas públicas, organizações de base, tecnologia e educação para o campo.

Os avanços são paulatinos e presentes em vários setores do agronegócio. Na área da educação e capacitação, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) se apresenta como ponte. Quando se fala em política pública para o campo, a progressão é inegável. Já nas cadeias produtivas com maior presença em Mato Grosso do Sul, a tecnologia não é tida como assunto do futuro, mas sim do presente!

Nesta reportagem multimídia, você vai ler os seguintes assuntos:

Aliados: educação faz com que o produtores rurais enxerguem propriedades como empresas; Políticas públicas: entidades de base organizadas impulsionam propostas para o setor;Dados: números mostram crescimento em diversas culturas; Em frente: Otimismo é fio condutor para futuro promissor no campo;Silvicultura: uma opção ideal para áreas degradadas;Novidades: campo e tecnologias;Pecuária: avanços fazem com que estado se consolide em cenário nacional;Terra: agro 4.0 é realidade para agricultores do estado.

Aliada do campo

Os últimos números consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado totalizava, em 2019, um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de R$ 106 bilhões. Do montante, a agropecuária respondia por 17%, sendo R$ 18,29 bilhões. Quando comparado a 2002 (ano inicial da série), houve crescimento de 393,9% no PIB da agropecuária sul-mato-grossense.

Veja infográfico abaixo com a evolução de Mato Grosso do Sul como uma das principais regiões produtoras do país:

Com atuação nas 79 cidades de Mato Grosso do Sul , a Famasul age de forma intrínseca no desenvolvimento do setor rural do estado. Aliada dos homens e mulheres do campo, a Federação comemora 45 anos de atuação, levando conhecimento, educação, empreendedorismo, capacitação, tecnologia, assistencialismo e serviços para sociedade.

O presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, destaca que a federação participou e participa de todas as grandes decisões políticas voltadas ao agronegócio de Mato Grosso do Sul.

"Houve a criação do nosso estado e logo depois surgiu a Famasul. Nós fazemos essa interlocução entre produtores rurais e os governantes. A Famasul teve essa participação e continua tendo. Atualmente a Famasul participa de cerca de 160 colegiados defendendo os produtores rurais. A importância da Famasul perante a proteção dos interesses dos produtores rurais da porteira para fora é muito importante", pontuou. Assista ao vídeo abaixo.

Em entrevista ao g1, Bertoni explica sobre a participação de várias entidades, fundações e instituições no desenvolvimento do agronegócio de Mato Grosso do Sul. "Nós pegamos as novas tecnologias que são estudadas nas fundações e conseguimos dar um ar mais fácil para o produtor rural entender. Trazemos essas tecnologias aos produtores. Assim, conseguimos atingir o título de ser um estado tão pujante no Agro".

Para Bertoni, que iniciou a vida no campo lá no clube de laço, em Bonito, o entendimento coletivo começou a ser aguçado quando tinha 23 anos. Desde então, o jovem que tentava buscar gado no laço e, atualmente, ocupa a cadeira mais alta da federação, diz enxergar o mundo de uma maneira diferenciada.

"Eu tenho uma vida sindical há muito tempo. Até os 23 anos tinha uma vida 'normal'. Fui laçador, em Bonito, não fui muito bem, então nem estão sentindo falta. De lá para cá passei a entender que eu fazia parte de uma sociedade. Foi aos poucos. Nunca pensei que estaria dentro da Famasul. No começo eu morava em Campo Grande e começava o movimento nacional de produtores, naquela fase que tudo era brincadeira. De lá para cá passei a entender que tinha uma missão. Eu acho que estamos no caminho certo. Nestes 45 anos, a Famasul tem feito a diferença na vida das pessoas. Nos últimos 10 anos qualificamos mais de 340 mil pessoas. Isso é mão de obra que conseguimos realocar no campo!".

LEIA TAMBÉM:

Caminhos sustentáveis: setores do agro apostam em práticas amigas do meio ambiente e alavancam economiaQueima do bagaço e da palha de cana gera em MS mais energia do que consumo residencial do estadoNo top quatro dos maiores produtores de etanol e bioeletricidade do país, MS discute futuro da bioenergia

A Famasul atua juntamente ao pequeno, médio e grande produtor rural. Bertoni é categórico ao dizer que, na visão da federação, não há distinção entre as necessidades dos empresários do campo. Um dos braços de atuação direta é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

"Tudo é produtor rural. Precisamos levar a esses produtores a informação. É interessante que o Senar consegue atender desde o pequeno produtor até o produtor que já está em um nível avançado. O Senar tem um braço interessante que é parte social. [...] O Senar e a Famasul se completam. Levamos ao produtor rural a tranquilidade para que eles possam produzir mais, melhor e com tranquilidade", finaliza.

Senar: uma ponte para a capacitação

A analogia usada para falar do Senar-MS é de que o serviço é um dos braços da Famasul. Porém, ao olhar os números consolidados de serviços prestados aos homens e mulheres do campo, o Senar-MS expande. Veja no infográfico acima as frentes de atuação em Mato Grosso do Sul.

O Senar foi criado pela Lei 8.315/1991 em 23 de dezembro de 1991 com o propósito de ser uma entidade de direito privado e patronal rural, vinculada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em Mato Grosso do Sul, a atuação começou alguns anos após.

"Esse ano é muito importante para o estado de Mato Grosso do Sul que completa os seus 45 anos. Para Famasul também, que completa os seus 45 anos. Para o Senar não é diferente, são 30 anos de atuação no estado, levando capacitação, conhecimento e inovação aos homens e mulheres do campo. Isso foi de fundamental importância para o nosso estado, já que vem passando por uma verdadeira transformação na matriz econômica. Isso requer mão de obra especializada e capacitada em novas tecnologias para acompanhar esse desenvolvimento. Esse é o propósito do Senar, levar as capacitações e conhecimentos aos homens e mulheres do campo", apresenta o superintendente do Senar-MS, Lucas Galvan. Assista ao vídeo abaixo.

Como a Famasul, o Senar-MS atua em todas as cidades do estado. Como parceiros, os sindicatos rurais se apresentam como mobilizadores. De forma gratuita, o serviço é fio condutor para levar conhecimento e capacitação aos produtores e trabalhadores rurais. Galvan explica que as ações oferecidas são para "para melhorar a qualidade de vida das pessoas no âmbito rural".

"Os números [do Senar-MS] são sólidos. Antes da pandemia, o Senar-MS capacitou, em 2019, cerca de 60 mil pessoas. A nossa meta para 2023 é passar dos 70 mil capacitados, número bem significativo. O número vem crescendo, já passaram muita gente de Mato Grosso do Sul pelos cursos do Senar", comenta Galvan. Veja os números dos serviços prestados pelo Senar em Mato Grosso do Sul:

O Senar-MS tem como aliadas as universidades e fundações em Mato Grosso do Sul. Aliando a cultura do produtor rural com a tecnologia e inovação, o serviço busca novidades e, como uma ponte, repassa o conhecimento.

"O papel do Senar é pegar o que tem de mais moderno nas universidades e centros de pesquisa, traduzir em uma linguagem mais fácil de acesso e levar o conhecimento para o trabalhador e produtor rural. Fazemos constantemente essas adequações do que a ciência apresenta de novo e traduzimos de uma forma mais atrativa ao produtor rural. Claro, respeitando as tradições e cultura do povo".

Galvan explica que "só há transformação através do conhecimento". Ao longo da história de atuação em Mato Grosso do Sul, o Senar se fez como propulsor da educação ao campo. Como na vida do próprio superintendente, o serviço chegou cedo.

Engenheiro agrônomo por formação, o primeiro contato de Galvan com o Senar-MS foi na graduação. Após vários cursos, o superintendente viu no serviço uma oportunidade de desenvolvimento de carreira.

"O Senar transforma vidas quando leva novos conceitos e novas informações às pessoas, e elas implantam nas vidas pessoais ou nos negócios. [...] Hoje estou no sistema Famasul há 16 anos. É um prazer e orgulho participar de boa parte da história do Senar. De 30 anos de Senar, eu tenho participado da metade desse tempo", finaliza.

Assistência que transforma vidas

De família de apicultores, Cláudio Coch faz parte da segunda geração de produtores de mel, em Três Lagoas (MS). Depois de várias idas e vindas entre as produções, em 2019, o produtor foi apresentado à Assistência Técnica e Gerencial (Ateg) do Senar-MS. Assista ao vídeo acima.

Como Coch pontua, a história com o Senar-MS é antiga. Antes de receber a Assistência Técnica e Gerencial (Ateg) - reveja o que é no segundo infográfico - , o apicultor já realizava cursos oferecidos pelo serviço. O entendimento de que os apiários eram uma empresa veio após a capacitação.

"A gente percebeu que precisava melhorar o processo, não bastava apenas os cursos, precisávamos de um processo de gestão. Não era apenas produção, mas sim o produtor entender que o apiário dele, sendo propriedade dele ou não, ele precisa gerir isso como empresa. Saber quando produz, como produz, quantidade e entender comercialização. [...] O que é importante: entender o seu negócio, entender o momento de melhora e ajuste", afirma Coch.

O diálogo é constante no processo de assistência oferecido pelo Senar-MS. Coch detalha que a mudança no processo de gestão da propriedade foi nítida.

"Tivemos uma melhora muito grande, sempre buscamos mais soluções. Eu acredito que a produção não é fácil, mas o mais difícil é a gestão da apicultura. Hoje temos 300 colmeias produzindo na minha propriedade. Vamos dobrar o tamanho para o próximo ano. Queremos mecanizar a apicultura e buscar entendimento no Chile e Argentina. Queremos entender mais do negócio, na questão da produção. Vamos mecanizar tudo e dobrar nossa produção, queremos agilizar o processo".

A revolução do solo

Que a tecnologia e a internet têm revolucionado o mundo desde o século XX, não é mais novidade. Os produtores rurais também estão "surfando na onda" dos novos métodos tecnológicos. Conhecida como "Agricultura 4.0", esse avanço vem para manter o crescimento de forma controlada e sustentável das produções. Além de tecnológica, a prática visa um menor impacto ambiental, proporcionado pela automação e processos.

O avanço vem garantindo melhoramento genético, bioinformática, melhorias na pré-produção, na agricultura de precisão e, principalmente, na pós-produção. Para entender melhor como a tecnologia tem impactado a vida no campo, a engenheira agrônoma e especialista em análise de dados dos solos, Flávia Machado, explica de que forma o produtor vem se beneficiando e prosperando com os novos métodos.

“A gente vem acompanhando o surgimento de várias ferramentas para auxiliar no diagnóstico do tipo de solo e melhor assim o uso dele. Hoje eu tenho sensores de condutividade elétrica do solo, sensores de condutividade hidráulica do solo, sensores que medem PH de solo, temperatura e imagens de satélite, onde consigo fazer um tratamento mais estatístico e ter um diagnóstico de qual tipo é o solo', explica.

A profissional comenta que na agricultura de conservação, quanto melhor for o solo, que deve apresentar conservação de biodiversidade, macrofauna, microfauna, melhor será a produção dele. “O solo na verdade é a sustentação de qualquer planta, então o objetivo é agregar tecnologias para conseguir preservar esse solo pelo maior tempo possível', afirma Flávia.

A prática, tida como sustentável, tem "cara" de nova, porém, em algumas famílias já vem sendo aplicada há muitas gerações, como é o caso da família Brito.

“Nós nunca tivemos pensamento extrativistas. Meu pai e meus avós sempre pensaram em formas de cuidar e manter nossa terra, nosso solo. Sempre pensamos em cuidar do que era nosso e do que rendia e gerava valor', explica Beatriz Brito, administradora da empresa Laudejá Agronegócio.

Herança familiar

Para a família Brito, que chegou na região em 1870, e foram os pioneiros no meio do agronegócio brasileiro, a ideia de sustentabilidade e agropecuária sempre caminharam juntas, assim como a tecnologia e a conservação.

“Nossa família trabalha no ramo até antes mesmo de ser chamado de Agronegócio. Meu avô já era de uma família de pecuaristas e com ela construiu um bom patrimônio', contou o engenheiro agrônomo e diretor executivo da Laudejá Agronegócio, Léo Brito Neto.

Nascido e criado no mundo da agricultura 4.0, Léo afirma que o pensamento de correção de solo, adubação de pastagens e rotação de cultura, por exemplo, já eram discutidos pela geração do pai. Porém, hoje em dia, a internet potencializou as informações e as tecnologias deixaram esses procedimentos muito mais acessíveis.

“A evolução é diária e precisamos de gente atualizada no nosso sistema. O plantio direto contribuiu e contribui para redução de emissão de carbono, assim como o manejo integrado de pragas e doenças, na utilização inteligente dos defensivos agrícolas. Dessa forma, entende-se que o agropecuarista, está cada vez mais preocupado em produzir um alimento seguro, com responsabilidade ambiental', afirma.

Sustentabilidade e saúde

Com o avanço das tecnologias e o aumento da preocupação com o meio ambiente, a especialista em solos, Flávia Machado, é categórica ao dizer sobre o uso de técnicas inovadoras no campo.

“Hoje queremos colher muito e o custo é alto. Então quem não for eficiente, não consegue continuar no meio de produção. O preço do insumo hoje tá muito alto, alguns fertilizantes chegaram a triplicar de preço, por isso a necessidade de ter um controle, caso isso não ocorra eles acabam saindo do sistema', explica a agrônoma.

A utilização de insumos está diretamente ligada à saúde do solo, que depende do PH, temperatura e até mesmo na aplicação equilibrada dos fertilizantes. As finalidades tecnológicas são imprescindíveis para definir se o solo está pronto para receber o plantio ou não.

“A base do solo é a mesma, aí entra a questão do que será produzido nele e as medidas aplicadas para que ele não fique degradado. A ideia é que com essas tecnologias o solo melhore e não fique desgastado conforme as cultivações são plantadas e colhidas', explica.

Tecnologia de ponta

A agricultura 4.0 vem ao encontro com o aumento da produção e a necessidade de tecnologias para otimizar o processo. A análise de solo é uma das peças fundamentais dessa nova agricultura, podendo-se dizer que é onde tudo começou.

“Sempre usamos o termo agricultura de precisão, que nada mais é que uma análise de solo georreferenciada numa quantidade muito maior do que numa agricultura convencional. Então, por exemplo, em uma propriedade de 100 hectares, ao invés de eu ter uma análise, ou duas, que é o que convencionalmente se faz, eu vou ter 40. Então com essa nova tecnologia eu tenho muito mais detalhamento e georreferência, com ela consigo ter a localização específica dessas análises, com isso eu sei exatamente o ponto em que eu fui fazer aquela coleta e consigo voltar de ano em ano exatamente no mesmo ponto', afirma Flávia Machado, especialista nessa tecnologia.

Para o agrônomo Léo Brito Neto, a evolução dentro da agricultura é diária e exige que o profissional se atualize sempre para manter a excelência na produção e a sustentabilidade das terras.

“Em nossas terras praticamos a agricultura 4.0 desde o básico, que vai de uma análise de solo, ao plantio direto, integração lavoura pecuária, utilização de resíduos na adubação orgânica com aplicação em taxa variável, plantio sincronizado com máquinas diferentes, plantabilidade e espaçamento entre plantas. A evolução no agro é uma curva exponencial crescente', afirma.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Corte, o agro 4.0 é definido como um grande empregador de métodos computacionais de alto desempenho, rede de sensores, comunicação de máquina para máquina, conectividade entre dispositivos móveis, computação em nuvem, métodos e soluções analíticas para processar grandes volumes de dados.

“O que temos de tecnologias embarcadas no agro, desde a sistemas de gestão, monitoramento e operações, é que se tem de mais moderno no mundo. Eu consigo monitorar o consumo dos bois de clientes do boitel da empresa, em qualquer lugar do planeta que tenha internet, assim como monitorar o que se tem de perdas numa colhedora de grãos durante a safra. Agora imagina isso com o 5G? Vai ser turbinado', finaliza o diretor executivo da Laudejá agronegócio.

Ainda conforme os levantamentos da Emprapa, o uso das tecnologias digitais são um caminho sem volta no mundo rural. “Hoje em dia a tecnologia permite áreas muito melhores monitoradas, onde o produtor consegue distinguir qual a área de maior potencialidade e a de menor. Então, esse manejo das informações é o grande segredo para o grande avanço, com a internet nos campos temos mais acessos aos dados e aí depende do profissional capacitado analisá-lo e colocá-lo em prática', conclui a especialista em análise de dados.

Evolução tecnológica na pecuária

Destaque em cenário nacional, Mato Grosso do Sul é o 5º no ranking de federações brasileiras com maior rebanho bovino, de acordo com levantamento do IBGE, publicado em setembro deste ano. Em 2021, o estado contabilizava 18.6 milhões de cabeças de bovinos.

Segundo especialistas, a boa colocação está ligada à localização geográfica de Mato Grosso do Sul, às condições edafoclimáticas favoráveis, iniciativas e políticas públicas que estimulam investimentos no setor, mas além disso, conta com os avanços tecnológicos ao longo dos anos, que favoreceram uma produção de animais com maior qualidade.

Ainda segundo os dados do IBGE, Mato Grosso do Sul continua como o segundo maior estado em abate de bovinos, com 11,3% da participação nacional.

Qualidade na criação de gado de corte

Para o pesquisador e Coordenador do Centro de Inteligência da Carne Bovina da Embrapa Gado de Corte, Guilherme Malafaia, os números de produção são resultado de uma evolução na criação do gado, como a melhoria nas técnicas reprodutivas e nutrição, o que ocasiona maior qualidade dos animais.

“Isso deve-se especialmente aos programas de incentivo para melhorar a qualidade da carcaça e da carne, reduzindo a idade de abate, destaque para o Programa de Incentivo à produção de novilho precoce – PRECOCE MS do governo do estado. Este programa iniciou-se na década de 90 e foi considerado pioneiro no Brasil. Desde então o programa contribuiu para a redução da idade de abate dos animais que passou da média de 48 para 36 meses, juntamente com outros fatores como a melhoria das pastagens, da genética, da nutrição, das técnicas reprodutivas, da sanidade e da gestão', explica Malafaia.

Além de se destacar pelo volume de animais abatidos, o pesquisador também relata que estudos mostram que Mato Grosso do Sul apresenta o maior padrão de qualidade de carcaça quando comparado com os demais estados (93% dos animais do MS apresentaram padrão de qualidade desejável pela indústria).

Segundo Malafaia, é o investimento em capacitação e pesquisa e o acompanhamento de sindicatos e instituições que fortalece o mercado no estado, proporcionando melhoramento e eficiência na criação do gado de corte, possibilitando um avanço enorme para o setor ao longo dos anos.

“MS possui um ecossistema de inovação muito forte, composto por Instituições de Pesquisa que são referências mundiais em pecuária no mundo tropical, boas Universidades, Federação, Sindicatos e Associações de produtores, que são muito atuantes em capacitações, além de todo um esforço do governo do estado em prol de políticas públicas voltadas para sustentabilidade dos sistemas produtivos no estado. Esse ecossistema é um grande diferencial para a promoção da competitividade da pecuária de corte', salientou.

Avanço tecnológico como aliado

Além das medidas de capacitação, outro ponto que vem se destacando na pecuária, é o uso de tecnologias como aliadas. Por muito tempo, o campo foi visto como um lugar de “atraso', sem avanços. No entanto, nos últimos 40 anos, a pecuária registrou um ganho significativo de modernização do setor com incremento da produção e da produtividade, em bases sustentáveis.

Segundo levantamento da Embrapa, em um cenário nacional, a adoção das tecnologias, proporcionou:

aumento de 4 vezes na produção de carne bovina; ganho de 22 vezes na produção de carne de aves; número 4 vezes maior na de carne suína;4 vezes também na cadeia leiteira.

Ainda conforme pesquisa, estudos em genética, avanços no controle de pragas e doenças e melhoria das pastagens, proporcionaram o um maior desfrute dos rebanhos bovinos de corte, passando de uma média de 11% para 22%.

Melhoramento genético caminho para maior produção

Tendo como objetivo a obtenção de indivíduos com características desejáveis, a evolução ou melhoramento genético, consiste na alteração intencional do material genético. Na pecuária, essa ciência tem ganhado cada vez mais espaço, não só na criação do gado de corte.

Na fazenda da pecuarista e especialista em genética, Aurora Real, em Jaraguari (MS), a 71 quilômetros de Campo Grande, o melhoramento genético é utilizado no gado girolando para produção de leite. Veja o vídeo abaixo.

“A mudança reflete tanto na produção de leite, quanto na carne. Eu pego uma vaca que chamo de doadora, coleto sua genética, e multiplico em várias outras vacas. A melhoria genética, reflete na melhoria financeira e traz uma evolução na produtividade', esclarece Aurora.

A produtora esclarece que o melhoramento genético evita cruzamentos errados. Por meio da Fertilização In Vitro (Fiv), uma biotécnica reprodutiva, é realizada a obtenção de bezerros geneticamente superiores.

“A Fiv é parte do processo de uma pecuária de leite com uma visão moderna, a evolução genética pode ajudar na necessidade de produção de alimento, você deixa de perder tempo com cruzamentos que não seriam tão vantajosos, e reproduz os melhores, isso ajuda os pequenos e grandes produtores', explica a especialista.

Por fim, Aurora ressalta que a inserção de práticas como evolução genética, além de mudar a produtividade, abre espaço para mais oportunidades de emprego na pecuária.

“A porcentagem de pessoas que querem uma pecuária mais moderna é gigante, e isso abre um leque de oportunidades, novos empregos no ramo, mão de obra capacitada, com ideias sustentáveis, para a evolução na forma de produzir'.

LEIA MAIS:

Senar/MS oferece cursos gratuitos presenciais e semipresenciais; saiba como participarIndústria e produção de celulose geram mais de 9 mil empregos formais em MSÂncoras do desenvolvimento, gigantes da indústria alavancam economia e crescimento de micro e pequenas empresas em MS

Raízes fortes para um novo futuro

A silvicultura surge no cenário do agronegócio como opção ideal para a recuperação de solos degradados. Com forte presença na região leste de Mato Grosso do Sul, esta cultura, que contempla o cultivo e o manejo de florestas plantadas ajudou a transformar a economia do estado. O consultor técnico do Sistema Famasul, Clovis Tolentino ressalta a importância do setor.

“Por meio dela são produzidas várias espécies florestais de interesse econômico. Por exemplo, o eucalipto para produção de madeira, também para a produção de celulose, que por sua vez é utilizada na produção de papel', comenta.

Clovis ainda elenca a produção de borracha natural por meio das seringueiras e de móveis pelos pinus. “Todas essas espécies têm um interesse comercial. Se a gente não produzisse essas espécies florestais, elas teriam que ser retiradas da natureza através de um processo de extração vegetal. Quando você cultiva, você tem a produção para essa finalidade e não tem a necessidade de usar qualquer tipo de madeira que não tenha essa origem', explica o consultor técnico.

A prática da silvicultura em Mato Grosso do Sul remonta à década de 1970, afirmam especialistas . O diretor-executivo da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/MS), Dito Mário, comenta que a silvicultura chegou ao estado por meio de incentivos fiscais. Contudo, o início não foi tão promissor quanto se esperava.

“Nós tivemos cerca de 500 mil hectares, mas infelizmente naquela época a indústria ou quem consumiria a madeira não veio, ou seja, foi plantado, mas os outros elos da cadeia não vieram. O fogo e a formiga tomaram conta dessa área que foi plantada', cita Mário.

O cenário voltou a prosperar para a silvicultura em Mato Grosso do Sul a partir dos anos 2000, com destaque para o lançamento, em 2009, do primeiro Plano Estadual de Desenvolvimento Sustentável de Florestas Plantadas (PEF/MS).

“Com a organização das entidades, como a Reflore, a Câmara Setorial Consultiva do Programa de Desenvolvimento Florestal, começou um trabalho de organizar o setor florestal a partir de levantamento de dados e estudos e, com isso, começou-se a atrair investimentos na área florestal', detalha o consultor técnico da Famasul, Clovis Tolentino.

Desta vez, junto com os investimentos, veio a Mato Grosso do Sul um mercado consumidor, o que fortaleceu e consolidou a prática no estado. “Por isso que se deve também a expansão, porque além da produção é necessário que você tenha quem consuma isso', completa Tolentino.

Mato Grosso do Sul como referência nacional

Após o recomeço dos investimentos na área, Mato Grosso do Sul só cresceu no cenário da silvicultura brasileira. Com destaque para o cultivo de eucalipto, o estado tornou-se referência nacional, sem deixar de lado a preocupação com o meio-ambiente.

“Hoje nós temos 1,2 milhão de hectares de floresta de eucalipto e podemos chegar a 2 milhões de hectares e até ultrapassar, isso lembrando que nós estamos recuperando áreas degradadas. Não se derrubou uma árvore nativa para fazer o plantio de floresta de eucalipto. São todas áreas que estavam com pastagem, já eram áreas antropizadas, áreas que já tiveram ou tem pastagem e que muitas delas, ou a maioria, estão degradadas', destaca o diretor-executivo da Reflore/MS, Dito Mário.

VEJA MAIS

Com investimento de R$ 15 bilhões, grupo do Chile traz fábrica de celulose e deve gerar 12 mil empregos em MSIndústria e produção de celulose geram mais de 9 mil empregos formais em MSInvestimento bilionário em fábrica de celulose deve fazer cidade de MS 'nascer de novo'

Grande parte das florestas plantadas em Mato Grosso do Sul é de eucalipto, mas esta não é a única opção. O estado ainda conta com o cultivo de pinus, seringueiras, mogno africano e acácia.

“Mato Grosso do Sul tem um pouco mais de 1,1 milhão de hectares cultivados com eucalipto. Grande parte da nossa silvicultura é ocupada pelo eucalipto. A gente tem um volume pequeno de pinos, em torno de 4, 5 mil hectares. A gente tem também um volume bastante pequeno cultivado com mogno africano para produção de madeira, principalmente madeira de serraria, algo em torno de 50 hectares, segundo o último Censo Agropecuário. Mas, grande parte do cultivo de fato é eucalipto', reforça o consultor da Famasul, Clovis Tolentino.

Da prática da silvicultura são obtidos milhares de produtos. “A gente tem como clássicos a madeira, que é utilizada para produção de móveis, para escoras em construção, como matéria prima para geração de calor e energia, como é o caso dos cavacos, a produção de carvão, também a produção de borracha natural, que é o látex da seringueira', detalha Tolentino.

E não para por aí, dos pinus são extraídas resinas utilizadas em tintas e esmaltes, completa o consultor. “Algumas cascas têm propriedade medicinais também. Em algumas espécies pode-se utilizar as folhas também, como o eucalipto. O eucalipto citriodoro é utilizado para produtos de limpeza, aquele cheiro característico que é utilizado em sauna e em desinfetantes é originário de folhas de citriodora. Há uma série de produtos de origem florestal que são gerados a partir da madeira cultivada', pontua Tolentino.

Além disso, há a produção de carvão vegetal, de painéis reconstituídos (MDF), e claro, de celulose. De acordo com o Plano Estadual de Desenvolvimento Sustentável de Florestas Plantadas de Mato Grosso do Sul, de 2022, o estado é o maior exportador de celulose do Brasil, posto conquistado em 2018 .

Em 2020 foram exportadas 4,5 milhões de toneladas de celulose, equivalente a US$ 1,7 bilhão, tendo como principais países compradores China (61%), Estados Unidos (11%) e Itália (7%), conforme o Plano de Desenvolvimento Sustentável de Florestas Plantadas do estado.

O mercado de celulose conta com unidades em operação em Três Lagoas. Já para o carvão vegetal há jazidas de minério de ferro concentradas em Corumbá e Ladário. Para produção de painéis reconstituídos (MDF) há empresas em Água Clara. Contudo, outras cidades também se destacam na prática da silvicultura.

“Ribas do Rio Pardo, Inocência, Brasilândia, Santa Rita do Pardo e Selvíria, boa parte do eucalipto também está nesses municípios, mas agora deve crescer', destaca o diretor-executivo da Reflore/MS, Dito Mário.

A presença da silvicultura transforma o meio-ambiente e toda a sociedade. “Em um universo de quase 10 milhões de hectares, que são os municípios da costa leste, você vai usar 2 milhões de hectares que realmente transformam e transformarão toda essa região no sentido de novas oportunidades de emprego, a economia com certeza será totalmente diferente', destaca Mário.

Integração

A atividade silvipastoril destaca-se quando o assunto é integração da silvicultura com outras culturas. Animais, árvores e pastagens juntos e aliados para o desenvolvimento e preservação ambiental.

“Mato Grosso do Sul é destaque no Brasil. A gente é o estado com maior área de sistemas integrados, que também envolve o silvipastoril, além das outras formas. Então, com isso o produtor de pecuária pode produzir madeira e o produtor de madeira pode produzir pecuária', detalha Clovis Tolentino.

A família do engenheiro florestal Moacir Reis veio de Minas Gerais para Mato Grosso do Sul na década de 1990 e hoje se consolidou no cultivo integrado da pecuária e silvicultura. Destaca-se na produção de carne com o Selo Carbono Neutro, sistema que busca neutralizar as emissões de metano por meio da integração gado-árvores-pastagem.

“Foi feita a análise da floresta com a pastagem, onde se desenvolveu o selo Carne Carbono Neutro que já está disponível no mercado. [...] O produtor através de boas práticas agropecuárias vai conquistando o mercado de certificação, que é um mercado que deve conquistar cada dia mais um espaço no mercado internacional', comenta Reis.

O diretor-executivo da Reflore/MS, Dito Mário reforça que o selo é uma grande aposta para o futuro. “Para você ter carne carbono neutro você precisa ter o componente arbóreo, porque a árvore vai fixar esse gás do efeito estufa. Então, essa é uma coisa que dá certo. Dependendo do local, você pode ter nos primeiros anos ainda uma cultura, o feijão, a própria soja. Você vai ter dois ou três produtos na mesma área, fazendo com que sua propriedade seja mais produtiva', comenta. “A integração faz bem para o meio ambiente, você deixa de ter uma monocultura em um espaço de área. Toda vez que você tem duas espécies ou mais na mesma unidade de manejo você tem ganhos econômico, ambiental e social também. A integração tende a fazer bem para todos os aspectos', pontua o engenheiro florestal, Moacir Reis.

Novos frutos

O apoio técnico é uma ferramenta fundamental para a consolidação da silvicultura, como destaca Moacir Reis. “Todo setor que tem entidades fortes acaba crescendo muito. A Famasul hoje, através do Senar, tem vários treinamentos que são realizados para área florestal, o principal deles é a questão ligada aos incêndios florestais e também ao combate às formigas, que são os dois principais itens de preocupação para a floresta', detalha.

O engenheiro florestal ainda ressalta a importância de se ter produtores e consumidores no mesmo estado para o fortalecimento da prática aliada ao desenvolvimento e preservação ambiental.

“Nós sentamos na mesma mesa, produtores e também consumidores, ou seja, tem empresas e produtores conversando sobre assuntos em comum, como a questão do meio ambiente. Mato Grosso do Sul tem hoje a legislação mais flexível do Brasil e por isso as fábricas estão se instalando no estado devido à essa facilitação ambiental em relação a outros estados', comenta.

O diretor-executivo da Reflore/MS, Dito Mário ressalta que as exigências para a produção são importantes e respeitadas. “Todas as empresas que vêm para atender ao setor florestal são empresas que têm certificação. Elas precisam dessas certificações, que são muito muito exigentes. Precisa ter essa acreditação dessa certificadora para comercializar o produto. Então, ninguém vai fazer nada, muito pelo contrário. Nós temos cerca de 1,2 milhão de floresta plantada e temos aí quase 700 mil hectares, que essas empresas têm em suas reservas legais. Em todo o processo do meio ambiente nós temos uma conservação maior do que qualquer outra coisa', reforça.

Para o engenheiro florestal Moacir Reis as certificações vieram para ficar. “Hoje as certificações dão credibilidade para a carne brasileira, para a madeira brasileira, isso é uma tendência que deve acontecer nas próximas fases do agronegócio brasileiro de forma geral', diz.

As sementes para o futuro já foram plantadas e as raízes da silvicultura estão firmes em Mato Grosso do Sul. “A tendência é de expansão na área produtiva, o aumento da área de cultivo, porque a gente tem além das empresas consumidoras existentes atualmente, a gente tem dois projetos de fábricas de celulose em implantação, um em Ribas do Rio Pardo e outro em Inocência, então para o abastecimento dessas duas empresas vai ser necessário aumentar realmente a área cultivada', comenta o consultor da Famasul, Clovis Tolentino.

O especialista ressalta que Mato Grosso do Sul ocupa a segunda colocação no cultivo de eucalipto do Brasil, ficando atrás somente de Minas Gerais. “Há uma expectativa que nos próximos dez anos nós possamos chegar acima dos 2 milhões de hectares de área cultivada de eucalipto e isso acontecendo, a tendência é que nós venhamos a assumir o posto de maior produtor de eucalipto do Brasil', comenta.

Com a chegada de novas fábricas, mais hectares devem ser plantados, pontuam os especialistas. Com isso, a silvicultura deve se expandir ainda mais no estado. “A gente pode esperar mais de 2 milhões de hectares e outras fábricas, outros produtos que poderão vir da madeira. Já estamos colhendo os frutos, mas teremos muitas outras árvores que vão render muitos frutos para o estado', pontua o diretor-executivo da Reflore/MS, Dito Mário.

A integração que vem de todos

Com solos férteis, pecuária de alto rendimento, tecnologia, capacitação e oportunidade de emprego, os setores do agronegócio de Mato Grosso do Sul despontam e garantem um futuro promissor para as novas gerações. No estado, o trabalho realizado pelas entidades representativas do setor oferece estrutura, apoio técnico e informação, sendo elo com os produtores.

Em seus 45 anos de existência, a Famasul, além de promover a disseminação de conhecimento e qualificações, contribui para a integração da classe produtora. A federação atua na representação dos produtores rurais, no desenvolvimento sustentável do agronegócio e no fortalecimento das relações institucionais.

Ao g1, Marcelo Bertoni, presidente da Famasul, aponta que a entidade promove a defesa dos direitos coletivos e individuais da população que vive e trabalha no campo. “Existe o coletivo e a necessidade de cuidar do produtor rural. Aqui aprendemos de tudo e enxergamos. Tenho uma vida sindical há muito tempo, acaba que você conhece o sistema e se apaixona. Aqui aprendemos de tudo, vem uma coisa atrás da outra', disse.

Neste sentido, a federação e muitos sindicatos rurais têm apostado na ampliação da representatividade, prestação de serviços e melhoria da infraestrutura para receber capacitações, como esclarecido.

Bertoni reitera que a parceria entre as entidades impulsionam as diversas cadeias produtivas e a geração de renda no campo. “A Famasul tem 69 sindicatos, dos 79 municípios. Os que não têm, temos extensão de base. A gente dá suporte aos presidentes, desde a questão de legislação até os cursos. Damos o suporte técnico aos sindicatos', disse.

O presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Alessandro Oliva Coelho, esclarece que o propósito da entidade é a defesa dos direitos, reivindicações e interesses, independentemente do tamanho da propriedade e do ramo de atividade. Assista ao vídeo abaixo.

“O foco principal do sindicato hoje é a formação de mão-de-obra para que o produtor rural tenha mais conhecimento sobre a sua área. As entidades, dentro da sua área de jurisdição, é quem faz essa mobilização, alcançando o produtor, que procura o sindicato e apresenta a demanda. Hoje o sindicato é muito além de uma instituição que representa os produtores, abordamos também a parte social, com base no tripé de organização ambiental, social e econômica'.

Além da parceria em propostas para impulsionar o setor, Alessandro pontua que a Famasul também atua para atingir determinados nichos do agro. “O sistema sindical no Mato Grosso do Sul é um sistema diferenciado e organizado. A Famasul atua sempre de maneira participativa e colaborativa. Ela é responsável pelo controle de gestão do Conselho do Senar e essa ponte facilita muito. A Federação traz todas as informações necessárias, manda para a base do sistema que é o sindicato, aí destrinchamos para o produtor rural', destacou.

Academia integrada com entidades e o campo

Outro viés de atuação da Famasul é ser ponte entre as entidades para viabilizar e promover pesquisas do setor voltadas às universidades de Mato Grosso do Sul. O coordenador do curso de agronomia da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Cleber Jadoski, esclarece que a integração entre entidades proporcionou avanços no estado, facilitou o acesso à informação, formação e capacitação, tanto para o empregador como para o empregado rural e a academia.

“Quando temos as entidades integradas os diversos setores do agronegócio são beneficiados e ajudam a fomentar os trabalhos da academia, como já acontece em Mato Grosso do Sul. A universidade realiza pesquisas e as entidades nos ajudam a colocar em prática', pontuou.

O especialista destaca que a união do setor facilita a divulgação de trabalhos e pesquisas com os produtores rurais. “As entidades têm muito interesse em promover o desenvolvimento da academia. Existe uma necessidade grande de tecnologia no agronegócio, por isso a Famasul tem vários projetos em desenvolvimento com as universidades, ela gera projetos de demanda e sempre atendemos', diz.

Representatividade Feminina

Presentes em cargos de operação, planejamento, finanças e em cargos de liderança, as mulheres têm cada vez mais visibilidade no segmento da agropecuária. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, do IBGE, o número de mulheres na condução de propriedades rurais aumentou 38% em todo o país entre 2006 e 2017.

Apesar desse avanço, elas ainda são minoria entre os proprietários: no Brasil, 19% dos estabelecimentos rurais têm mulheres como proprietárias, conforme o IBGE. Como exemplo, dos 69 Sindicatos Rurais de Mato Grosso do Sul, apenas quatro são presididos por mulheres . Entre elas está Telma Menezes de Araújo, que ajudou a implantar o sindicato em Nova Alvorada do Sul e há 12 anos responde pela presidência.

Telma relata que desde o início dos trabalhos do sindicato no município, a Famasul disponibiliza capacitações e investimentos para os produtores e a população de Nova Alvorada do Sul.

“Temos uma linha direta de orientação, e isso acontece desde sempre. Estou na presidência há 12 anos, mas faço parte do Sindicato Rural desde 1991, quando foi implantado na cidade. Trabalhamos com a capacitação via Senar para orientar o produtor e tentar ao máximo auxiliar no que for preciso para o setor. Nós solicitamos os cursos e capacitações que a Famasul disponibiliza conforme a demanda da população'.

Visando os desafios enfrentados, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional da Mulher Rural. Celebrada em 15 de outubro, a data comemora o avanço da força de trabalho feminina no campo e coloca em evidência o protagonismo das mulheres da área.

Além de líder sindicalista, a produtora rural é nascida e criada na Fazenda Cristal, região que sempre foi lar da família desde a época dos bisavós. Após perder o pai e a mãe, Telma precisou assumir os negócios da família e hoje conta com a ajuda de um sobrinho.

Segundo ela, a representatividade feminina está em todas as áreas do agro, contribuindo para a evolução do setor. “Nasci e cresci no meio do campo, convivo desde sempre com o agronegócio e isso é muito natural pra mim. Na minha família as mulheres ficavam viúvas precocemente e tinha que dar continuidade aos negócios da família. Fico feliz em vermos cada vez mais mulheres no meio rural, antigamente houve uma necessidade muito grande para dar continuidade aos negócios da família, presenciamos dessa representativa', disse.

A produtora rural observa que a união feminina também é necessária para o progresso dos negócios e da sociedade . “Existe uma necessidade muito grande de participarmos do meio rural e da sociedade em si. Temos que sair da zona de conforto e construir o que precisa', finaliza.

De acordo com levantamento realizado pela Famasul, a participação feminina no agronegócio de Mato Grosso do Sul apresentou aumento de 109% nos últimos 10 anos. Em 2010, cerca de 1,1 mil mulheres integravam atividades no setor, enquanto em 2020, o número passou para 2,4 mil, aponta a pesquisa, que teve com embasamento dados do Ministério do Trabalho e Previdência.

A pesquisa aponta ainda que a maior presença feminina é presente na criação de bovinos, com 53,4% de participação, seguida pelo cultivo de soja (13,90%), atividades de apoio à agricultura (6,35%) e cultivo de cereais com (4,88%).

Em Sonora, o sindicato também é presidido por uma mulher. Silmara Régia Bonfim de Oliveira é produtora rural de bovinocultura e assumiu o desafio sindical há seis anos. “É importante termos cada vez mais mulheres estando presentes no campo do agronegócio e em lugares de liderança. Como pecuaristas, pesquisadoras, agricultoras, gestoras de empresas do setor e empreendedoras. Assim veremos cada vez mais a força da mulher no campo'.

Silmara também destacou a importância da parceria entre a Federação e os sindicatos. “A Famasul auxilia os produtores através dos cursos, palestras para a capacitação de seus produtores e colaboradores. É fundamental essa parceria que acontece entre os sindicatos e a Federação, sem essa parceria não vejo avanço do agro no nosso Brasil'.

Além de Telma e Silmara, outras duas mulheres estão à frente da presidência de sindicatos de Mato Grosso do Sul, sendo elas Roseli Ruiz, de Antônio João, e Maria Neide Casagrande Munaretto, de Tacuru.

"Vejo mulheres assumindo os negócios da família, jovens assumindo as propriedades, o que é muito importante. Antes os pais não tinham pra quem passar, hoje a mulher tá assumindo o papel no campo, tratorista, veterinária, a mulher está em tudo!".

Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE