Projeto usa visão computacional para reduzir perdas na colheita da soja

Iniciativa, premiada com R$ 150 mil, foi uma das oito selecionadas no Edital Agro 4.0, parceria da ABDI e do MAPA para incentivar a adoção de tecnologias no agro

| ASSESSORIA


Estima-se que no Brasil a perda média de grãos na colheita mecanizada da cultura da soja seja de 80 quilos por hectare. De acordo com a Embrapa, isso acontece por má regulagem das máquinas, falta de monitoramento adequado e do ajuste correto da velocidade de operação da colhedora, altura e rotação dos molinetes. Com os devidos ajustes, segundo a Emater-PR, a redução das perdas chegaria a menos de cinco quilos por hectare.

O projeto “Uso de visão computacional para monitoramento de perdas na colheita de soja”, criado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão, Fazenda Caçula e Smart Consultoria Agronômica e Serviços Agrícolas Ltda, é uma das iniciativas para reduzir essas perdas e foi um dos vencedores do Edital do Agro 4.0, parceria entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A iniciativa consiste na instalação de sistemas de aquisição de imagens atrás da plataforma de corte da colhedora para obter as imagens do solo logo após a passagem da máquina. Por meio dessas imagens, algoritmos de visão computacional irão realizar a contagem dos grãos encontrados.

Considerando a área representada da imagem e o peso de cada grão, irá contabilizar as perdas em quilos por hectare. O sistema irá obter amostras a cada cinco metros de deslocamento da colhedora. Cada local será georreferenciado através de um dispositivo GNSS conectado que irá gerar mapas.

Para o gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias (UDT) da ABDI, Bruno Jorge, a expectativa é que, assim como no primeiro Edital, que trouxe resultados surpreendentes -- como redução de 70% no uso de herbicidas nas lavouras e redução de até 25% na emissão de poluentes na pecuária -- o segundo realmente seja um propagador de tecnologias para o campo.

“Além das ações de adoção de tecnologias 4.0 pelos 40 produtores rurais, agroindústrias e cooperativas envolvidos, os oito projetos selecionados irão realizar ações de difusão diretamente para mais de 300 empresas do setor produtivo”, afirmou.

Segundo a diretora do Departamento de Apoio à Inovação Agropecuária do Mapa, Sibelle Silva, os resultados da iniciativa, mostram, na prática, a sinergia dos aspectos de sustentabilidade, segurança alimentar e agricultura digital, além do potencial de todos os ecossistemas de inovação no agro de norte a sul do país. “Ações como essa elevam o patamar do agronegócio e promovem o avanço de mais ambientes de inovação para o agro em todo o Brasil.”

Conheça os oito projetos selecionados:

1. Gestão e controle de produção para Avicultura 4.0 (PR)

O projeto irá utilizar solução IoT (Internet das Coisas) e software de gestão para monitorar, em tempo real, o bem-estar das aves e a produtividade de cada aviário, com dispositivos que fornecem informações da qualidade do ambiente, do consumo de ração, do peso das aves e dos índices zootécnicos relacionados à produção. Os dados irão auxiliar o produtor no manejo e na tomada de decisão e a equipe técnica da agroindústria irá conduzir um trabalho mais eficiente no controle sanitário, reduzindo perdas e obtendo melhores resultados zootécnicos e financeiros.

Grupo de trabalho: Fundação Parque Tecnológico Itaipu-Brasil, Coopavel Cooperativa Agroindustrial (e produtores) e Stac Technology Ltda.

2. Monitoramento digital de solos (com sensor proprietário) e lavouras (com imageamento RGB) (com software de I.A) (PR)

O projeto realiza o monitoramento digital do solo, via sensoriamento remoto. São gerados mapas da real disponibilidade dos nutrientes do solo e seus respectivos mapas de correção e fertilização para aplicação das quantidades certas somente nos pontos necessários. Além disso, viabiliza um conhecimento preditivo que indica os agentes causadores de danos (pragas, doenças e daninhas) nas lavouras antes do dano. São gerados mapas da incidência desses agentes, com seus respectivos graus de severidade para aplicação do herbicida somente nos pontos de incidência. Para isso, são usados softwares de Inteligência Artificial (IA), sensores IoT (Internet das Coisas) e hardware de manejo autônomos.

Grupo de trabalho: FIEP/SENAI, NetWord Consultoria e Tecnologia e produtores da região

3. Sistema inteligente para manejo da irrigação usando tecnologias de ponta para produtores de café da região sudeste do Brasil (MG)

Composto por elementos de hardware e software, realizando a medição de umidade do solo com sensores fixos em campo e alimentados com energia solar, além do acompanhamento via plataforma de dados, o projeto auxilia o produtor de café com informações sobre quando e quanto irrigar a lavoura. Todos os dados são transmitidos via conexão sem fio e sem internet no meio da lavoura, trabalhando com rede celular específica para Internet das Coisas (IoT). O sensoriamento remoto utiliza a técnica TDR - Reflectometria no Domínio Tempo, a forma mais precisa existente no mercado para verificar pequenas mudanças na umidade do solo.

Grupo de trabalho: Agventure Hub (Inoventures Tecnologia da Informação Ltda.), Raks Tecnologia Agrícola Ltda. -ME IFSuldeMinas e demais produtores da região.

4. Inteligência artificial para classificação/tipificação de carcaças bovinas no frigorífico 4.0 (MT)

O projeto prevê o desenvolvimento de um sistema que utiliza inteligência artificial e visão computacional para obter imagens das carcaças bovinas e interpretar a classe de acabamento de gordura para elevar a assertividade da classificação/tipificação da qualidade dessa matéria-prima (a carcaça). O resultado da classificação será transferido para computação em nuvem, com uma plataforma de gestão de informação para a indústria frigorífica, que, utilizando big data e analytics, poderá sincronizar com a origem do bovino, entregando essa avaliação para gestão industrial, cálculos de eficiência de fluxo, avaliação de fornecedores-pecuaristas, rentabilidade na desossa e retorno financeiro.

Grupo de trabalho: Instituto Tecnológico de Gestão Estratégica e Organização Social Sustentáveis (I-Geos), Bombonatto Indústria de Alimentos S/A, Ibeef P&D Ltda e demais produtores da região.

5. Sistema de apoio à decisão do produtor (MT)

Trata-se de um sistema que contém uma base de dados robusta com informações sobre as startups que atuam no agronegócio. Por meio de perguntas direcionadas, o sistema faz uma análise para o produtor rural de acordo com cada processo agrícola (pré-plantio, plantio, tratos culturais, colheita, etc.) e com as verticais técnicas, organizacionais e de recursos humanos, fornecendo, assim, o seu “nível de maturidade tecnológica”. Com isso, as Agtechs cadastradas que têm potencial para atender o produtor surgirão como sugestão e com informações para que o produtor possa conhecer melhor e tomar sua decisão final. O sistema também tem funcionalidades que consideram as preferências dos produtores em relação ao suporte técnico, custo, segurança etc.

Grupo de trabalho: Instituto Agrihub, Sydy Tecnologia Ltda, Fazenda Jaçanã e demais produtores da região.

6. Uso de visão computacional para monitoramento de perdas na colheita de soja (MS)

O objetivo do projeto é reduzir perdas na colheita da soja por meio de um monitoramento eficiente e automatizado, utilizando sistemas embarcados e visão computacional. Sistemas de aquisição de imagens serão instalados atrás da plataforma de corte da colhedora para obter imagens do solo logo após a passagem da máquina. Com essas imagens, algoritmos de visão computacional irão realizar a contagem dos grãos encontrados e, considerando a área representada da imagem e o peso de cada grão, contabilizar as perdas em quilos por hectare. O sistema irá obter amostras a cada cinco metros de deslocamento da colhedora. Cada local será georreferenciado e, dessa forma, será possível obter mapas.

Grupo de trabalho: Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão, Smart Consultoria Agronômica e Serviços Agrícolas Ltda. e demais produtores da região.

7. Implementação de um sistema machine vision automatizado para setor agro de frutas: da classificação da colheita ao controle de qualidade do produto final (PB e RN)

O projeto propõe a automação e o controle do processo de produção de polpas de frutas, empregando recursos de automação e visão de máquina. A ferramenta permitirá a classificação das frutas quanto ao tamanho, grau de maturidade e presença de imperfeições, garantindo frutas sãs, limpas, isentas de matéria terrosa, parasitas e detritos de animais ou vegetais. Também irá desenvolver um sistema embarcado IoT para monitorar os parâmetros físico-químicos da água utilizada no processo de produção da polpa, como pH, condutividade, salinidade e teor de sólidos dissolvidos; e ainda uma instrumentação que irá medir temperatura, pH, sólidos dissolvidos e cor da polpa.

Grupo de trabalho: Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), Alcalitech Fabricação de Aparelhos e Equipamentos de Medida e Controle Ltda., Cooperativa Potiguar de Apicultura e Desenvolvimento Rural e Sustentável (Coopapi) e demais produtores da região.

8. Plataforma tecnológica agrovoltaica para sensoriamento e automatização da coleta dos parâmetros físico-químicos do solo para fruticultura, como forma otimizar o consumo de água e insumos (CE)

O projeto irá automatizar a coleta dos parâmetros físico-químicos do solo de cultivo de frutas, em tempo real, por meio de sensoriamento remoto e plataforma digital. O objetivo é reduzir o volume de água, de adubos e de defensivos agrícolas utilizados na lavoura, além de gerar energia renovável para uso da própria agroindústria. Os sensores serão georreferenciados e também será realizada análise em isolinhas (curva de nível ou linha de contorno) dos parâmetros do plantio, dentro da plataforma digital.

Grupo de trabalho: Federação das Indústrias do Estado do Ceará, Indoorsense, Laticínios Vale do Pirangi Ltda. e demais produtores da região.

Sobre a ABDI

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) formula e executa ações que contribuem para o desenvolvimento do setor produtivo nacional. Sua missão é estimular a transformação digital dos negócios, com vistas para o aumento da produtividade, competitividade e lucratividade. A ABDI também incentiva testes com novos modelos de negócios e uso de tecnologias em cidades inteligentes. A Agência é indutora da cultura de digitalização na economia nacional, gera inteligência competitiva e é responsável pela articulação entre agentes públicos e privados, sempre com o foco no desenvolvimento econômico e social do país.