Relacionamento com torcedores é tema de debate em Seminário contra a Violência no Futebol

Em palestra no Seminário de Combate ao Racismo e à Violência, integrantes do Supporters Direct Europe (SDE) explicaram como funciona a organização de torcidas no futebol europeu

| ASSESSORIA CBF


Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol Créditos: André Borges/CBF

Você sabia que o futebol europeu tem uma associação específica para tratar do relacionamento com os torcedores organizados? A Supporters Direct Europe (SDE) é um braço institucional que liga e coordena as ações de torcidas organizadas no Velho Continente com a UEFA e as respectivas ligas. O trabalho da organização foi apresentado em palestra nesta quarta-feira (24) na sede da CBF, durante o Seminário de Combate ao Racismo e à Violência.

A SDE foi criada em 2007 com a ajuda da UEFA, com o objetivo de promover as torcidas organizadas na Europa, aproximando os torcedores de seus clubes. CEO da SD Europe e especialista em Relacionamento com as Torcidas da UEFA, Stuart Dykes falou sobre a criação dos Agentes de Relacionamentos com as Torcidas (SLOs). Novas peças na dinâmica entre fãs, clubes e federações, os SLOs promovem o diálogo e a integração entre todos.

A ideia é aproveitar pessoas com experiência como torcedor, para que sejam exemplo para as torcidas organizadas.

'O que tentamos fazer é construir esse relacionamento com os torcedores e ser uma influência positiva. Se pudermos dar esse espaço para eles, ser uma influência positiva para eles, para que façam o que eu faço. Somos exemplos. Precisamos estar conscientes do que transmitimos. O que queremos que nosso clube? Queremos racismo, discriminação? Claro que não. Todos merecem ser acolhidos no futebol. Mas precisamos construir essa mensagem', disse Stuart Dykes.

Stuart Dykes, CEO da SD Europe e especialista em Relacionamento com as Torcidas da UEFA Créditos: André Borges/CBF

Ele formou dupla com Lena Wiberg, Líder de Desenvolvimento e Treinamento da SD Europe, na apresentação da palestra sobre A implementação do Programa de Agentes de Relacionamento com as Torcidas na UEFA. Entre os exemplos de medidas para melhorar o comportamento nos estádios, ela destacou as punições de mando de campo a quem arremessa objetos no gramado.

'Eles resolvem a situação. É um exemplo excelente de autorregulação. Para eles, é uma solução perfeita. Não há rebelião, a polícia não precisa intervir. Somente uma pessoa é punida e é excluída por seus próprios pares. É importante termos esse relacionamento com os torcedores', afirmou.

O debate foi mediado por Luiz Claudio do Carmo, Presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas (ANATORG). Andrey Reis, Líder de Planejamento e Operações de Segurança da FIFA, falou sobre a capacidade que clubes têm para transformar as torcidas organizadas em aliadas na construção de uma cultura organizacional, com exemplos que vão até mesmo à exploração comercial do ambiente criado por elas.

'Situações onde a relação da torcida com o clube é tão conectada, que existem programas turísticos para trazer pessoas para acompanhar o jogo junto com as torcidas organizadas. Existe um mundo para ser trabalhado. A torcida faz parte do show. Reduzir a violência, a discriminação na torcida, faz parte dessa melhoria que vem para todos', afirmou.

Andrey Reys e Luiz Claudio do Carmo Créditos: André Borges/CBF

O Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol é uma iniciativa da CBF, com apoio e parceria da FIFA, da CONMEBOL e do Observatório da Discriminação Racial no Futebol. O evento foi realizado pela primeira vez nesta quarta-feira (24), e promete ser um pontapé inicial em uma nova era de combate à discriminação no futebol brasileiro.

Saiba mais sobre o Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol



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