Justiça ouve testemunhas do caso do estudante de Direito que foi morto por engano pela milícia em MS

Matheus Xavier, de 19 anos, foi assassinado em abril do ano passado. De acordo com as investigações uma milícia é responsável pelo crime.

| G1 / G1 MS


O juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Aluizio Pereira dos Santos, faz durante esta quinta e na sexta-feira (dias 28 e 29) audiências por videoconferência para ouvir testemunhas de acusação e de defesa do processo sobre o assassinato do estudante de direito Matheus Coutinho Xavier, de 19 anos.

Ele foi atingido por tiros de fuzil no dia 9 de abril de 2019, no bairro Bela Vista, em Campo Grande quando manobrava o carro do pai, na frente de casa, para pegar o dele e buscar o irmão mais novo na escola.

Segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MP-MS), o crime foi atribuído a milícia do jogo do bicho que age em Mato Grosso do Sul. O estudante teria sido morto por engano. A organização criminosa, conforme a força-tarefa que investiga a atuação do grupo, tinha como alvo o pai do jovem, o capitão da reserva da PM, Paulo Roberto Xavier, e acabou matando o adolescente por engano.

Alguns meses depois da morte do estudante, em setembro do ano passado, uma força-tarefa formada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-MS e pela Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), da Polícia Civil, desarticulou a milícia por meio da operação Omertà.

Foram presos os empresários Jamil Name e seu filho, Jamil Name Filho, acusados de serem os chefes da milícia, além de vários outros integrantes da organização, entre eles agentes de forças de segurança do estado, como integrantes da ativa e aposentados da Polícia Civil e da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande.

Jamil Name e o filho, além de outros cinco suspeitos de integrarem a milícia foram denunciados pelo MP-MS por envolvimento na morte do estudante.

Neste grupo de cinco estão: o policial civil aposentado Vladenilson Daniel Olmedo, que seria um dos gerentes do grupo; do ex-guarda civil Marcelo Rios, outro gerente e encarregado da guarda do arsenal da milícia; de Eurico dos Santos Mota, hacker contratado para monitorar o capitão da reserva da PM Paulo Roberto Xavier, e dos dois homens que teriam participado diretamente do assassinato, os ex-guardas municipais José Moreira Freires,o Zezinho, e Juanil Mirana Lima.

As defesas dos acusados negam participação no crime.

Motivação do crime

Segundo relatório do Garras, o policial militar aposentado Paulo Roberto Xavier era o verdadeiro alvo da organização criminosa na execução que resultou na morte do seu filho.

A investigação aponta que o homem apontado como chefe da organização criminosa, o empresário Jamil Name, acreditava que Paulo Roberto Xavier tinha se aliado a um advogado, com quem ele tinha tido um desacordo em negociação de fazendas que pertenceram ao reverendo Moon localizadas em Jardim e em Campo Grande.

Por conta do revez nos negócios, Jamil Name, conforme o relatório da polícia, teria dado ordem para matar o advogado, a esposa dele e seu filho, além do ex-policial militar.

Dos sete denunciados, quatro estão no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte: Jamil Name, Jamil Name Filho, Marcelo Rios e Vladenilson Daniel Olmedo. Eles acompanharam a audiência por videoconferência. Já José Moreira Freires e Juanil Mirana Lima, estão foragidos. Os dois têm mandado de prisão preventiva decretada pela Justiça.

Mais procurados

Os nomes de Zezinho e Juanil foram incluídos em janeiro na lista dos 26 criminosos mais procurados do Brasil, divulgada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A lista do ministério aponta que Zezinho já foi condenado em Mato Grosso do Sul pela morte do delegado aposentado Paulo Magalhães.

A relação destaca que Zezinho e Juanil também são suspeitos de envolvimento em outro crime atribuído a milícia, a morte de Orlando da Silva Fernandes, o “Bomba', em 26 de outubro de 2018. Ele foi segurança do narcotraficante Jorge Rafaat, executado em junho de 2016, em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil. Eles são apontados como pistoleiros.

Pistoleiro aposentado

Zezinho que era aposentado por invalidez pela Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande perdeu o benefício. Nesta quinta-feira, a prefeitura publicou dois decretos. No primeiro anulou a aposentadoria que havia sido concedida em junho de 2018 e o segundo o demitiu do cargo.



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