Conheça o universo criativo da arquiteta e muralista Natacha IK no ‘Fazendo Arte’

| ALMS


Programa é apresentado pelo jornalista João Humberto

As artes plásticas são formas de expressão criadas por meio do manuseio de diversos tipos de materiais e dessa maneira, é possível materializar imagens e formas, reais ou imaginárias, de acordo com a vontade do artista. Para valorizar esse universo, a TV ALEMS implantou em sua grade o programa ‘Fazendo Arte’, produzido e apresentado pelo jornalista João Humberto, e que exibirá histórias e entrevistas de artistas plásticos regionais para que o público conheça mais sobre eles. A arte da arquiteta e muralista Natacha IK será mostrada na edição de estreia, com exibição nesta terça-feira (3), às 17h, e disponível no YouTube após a veiculação.  

Desde 2013, Natacha IK se dedica profissionalmente ao graffiti, aos murais e às projeções mapeadas e há 20 anos ela também trabalha com animação gráfica, montagem e artes digitais em geral. Ela é formada em Webdesign e Tecnologia de Desenvolvimento de Sistemas Web pela UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) e em Arquitetura e Urbanismo pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Filha do pianista Aécio Flávio Miranda e da artista plástica Lourdes de Figueiredo, Natacha começou a grafitar aos 15 anos. Nessa época, pichou com o irmão uma parte do muro do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, colégio em que estudavam. A dupla foi descoberta e o pai pagou pintura nova e disse que a partir daquele dia, os irmãos poderiam pichar as paredes de casa e assim aconteceu. 

Ainda no ensino médio, desenvolveu uma fobia grave, que a fez ficar três anos em casa e nesse período, passou a desenhar 24 horas por dia e assim se aperfeiçoou nessa arte. Quando jovem, conheceu seu atual marido Alexandre numa festa e por intermédio dele começou a trabalhar com edições em 3D numa produtora de Campo Grande, trilhando o caminho da edição de imagens. 

Quando fazia sua segunda faculdade na UCDB, Natacha foi despertada pelo graffiti novamente, a partir do momento que fazia estágio na Casa de Ensaio, dando aulas de arte digital. Como as crianças não tinham computadores para as aulas e eles demorariam seis meses para chegar, ela comprou spray e começou a ensiná-las a desenhar; foi o primeiro workshop dado por ela. 

Numa edição do Festival de Inverno de Bonito, participou de workshop de graffiti ministrado pelo artista Pato Patológico. “Me animei mais ainda com a história e daí voltei pichando geral. Eu não sou do movimento hip hop, então meu encontro com o graffiti foi muito particular”. 

Arquitetura  – Cursando Arquitetura e Urbanismo na UFMS entre 2013 e 2018, a arte passou a ter mais sentido para Natacha, quando começou a participar do grupo de pesquisa Algo+ritmo, sob a orientação do professor Gilfranco Alves. A proposta do grupo é aplicar os meios digitais na arquitetura contemporânea. 

Foi ali que Natacha desenvolveu pesquisa que trata dos espaços híbridos em que arte urbana e as tecnologias se fundem, potencializando e expandindo a arquitetura. Ela percebeu que integrava um movimento cultural, se entendeu como pessoa e aceitou seu processo com mais alegria. Os trabalhos de murais começaram a surgir profissionalmente e sua imersão na projeção mapeada (vídeo mapping) teve início.

“Para mim, a projeção mapeada é uma continuação da intervenção do graffiti. Então eu projeto os meus desenhos em paredes, fachadas de prédios. Você pode transformar muita coisa, trabalhar com várias linguagens e significados. Eu uso ela como intervenção, como algo artístico, como algo de balançar com o meio social porque o mapeamento, a intervenção, ela é chamativa, ela é poderosa, ela é potente na hora que ela aparece”, destaca IK. Desde 2013, Natacha IK se dedica profissionalmente ao graffiti

Pinel – Seu trabalho de conclusão de curso na Arquitetura e Urbanismo foi ‘Pinel’, cápsula de surto medindo 7 metros por 4, com estrutura tensegrity (sistema que se apropria de cabos e da rigidez de outros elementos capazes de agirem sob tração e compressão) montada manualmente. “Ele tinha uma película em que foi projetado áudio e som de um surto de pânico e de um surto de depressão. Fiz rastreamento de como as pessoas deprimidas ou com transtornos costumam expressar os traumas. Geralmente elas fazem muitas analogias, então criei uma linguagem visual para a narrativa da crise de pânico”. 

Pinel também foi apresentado em outubro de 2018 no Marco (Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul), quando Natacha organizou a intervenção ‘F5 atualizando’. Na exposição ‘Face to Face’, de 2015, realizada num extinto food truck em Campo Grande, a artista criou obras feitas em papel, com spray, inspiradas em perfis aleatórios do Facebook. Um ano depois, numa exposição na Plataforma Cultural da capital, retratou animações que mudavam instantaneamente de lugar. Além disso, as pistas de skate dos municípios de Amambai e São Gabriel do Oeste foram grafitadas pela muralista.

Selecionada entre oito artistas, Natacha apresentou o trabalho ‘Androide_1.1’ na primeira edição do festival de projeção mapeada ‘Brasília Mapping Festival: #smartcities’, realizada em 2019. A projeção mostrou a representação ficcional de um andróide com aparência humana num futuro onde os humanos já não existem mais. Em março do ano passado participou da exposição ‘Agora é que são elas’, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Na época, 22 artistas sul-mato-grossenses expuseram seus trabalhos no Espaço Cultural da TVE, com o tema “Autorretrato”. 

“Cada um capta aquilo que consegue, aquilo que o seu repertório de vida é capaz de captar e conectar. Às vezes têm coisas que são muito doloridas para se manifestar ou processos que eu passei que foram muito fulminantes até aqui. Eu sempre falo que minha história é essa, um pouquinho solitária”. 

Fazendo Arte – *Após a estreia, o programa Fazendo Arte pode ser conferido no YouTube da Assembleia Legislativa de MS e na página da TV no site institucional www.al.ms.gov.br/tvassembleia. 



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