Farra da publicidade: Eminências pardas impedem veiculação de outdoors em Dourados

| FOLHA DE DOURADOS


Mais uma campanha publicitária com outdoors do Comitê de Defesa Popular foi censurada em Dourados. Pressionado por eminências pardas da cidade e de Campo Grande, empresário suspendeu, na última hora, a veiculação de 10 painéis contratados cuja mensagem tratava, entre outros temas, da “farra da publicidade”.

A rigor, há muito tempo que outdoors de movimentos sociais com protestos contra governos são impedidos de circular não só em Dourados, mas em todo o País. Para isso, censores utilizam o poder econômico (privado e público) para fazerem ameaças veladas (perseguição política e derrubada dos painéis) aos empresários do setor que acabam capitulando.

A campanha que circularia em 10 pontos estratégicos de Dourados, na primeira quinzena de junho, tratava de cinco temas: farra da publicidade, fila por leitos de UTI, UPA sem médicos, vacinação atrasada e população com fome, e pedia explicação ao prefeito Alan Guedes (PP) e investigação do Ministério Público Estadual. Não havia absolutamente nada de ilegal, apenas o exercício da liberdade de expressão.

A mando sabe-se lá de quem, as tais eminências pardas não estavam preocupadas com as pautas sobre saúde e fome. A Folha de Dourados apurou que agiram em surdina, numa tentativa débil, de impedir a propagação junto ao povo de Dourados da farra da publicidade denunciada pela vereadora Lia Nogueira (PP) na tribuna da Câmara Municipal.

Talvez envolvidos no suposto esquema que teria desviado quase R$ 1 milhão da Câmara quando o atual prefeito a presidia, as eminências pardas, que migraram do campo para a publicidade, se esquecem que em tempos de internet e redes sociais, censura é algo distante. Essas novas ferramentas democratizaram a comunicação.  

Segundo o coordenador do Comitê, Franklin Schmalz da Rosa, nos últimos dois anos, sob a égide do governo Bolsonaro, duas campanhas foram censuradas, uma em 2020 e outra em 2021.

“Entre as alegações são de que as empresas não veiculam campanhas de teor político e que não podem veicular contra o governo Bolsonaro porque senão muitos proprietários dos terrenos onde se encontram as placas as derrubam”, diz Franklin Schmalz.    

Ocorre que a recíproca não é verdadeira. “Com recorrência vemos campanhas a favor do governo expostas pela cidade, inclusive apócrifas ou assinadas por supostas entidades, sempre favoráveis a Bolsonaro ou contra o ex-presidente Lula”, afirma ele

De acordo com o coordenador, em 2020, durante os meses de abril e junho, o Comitê tentou veicular campanha criticando medidas do governo federal, já direcionadas a temas principais como saúde.



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