Em carreata, empresários pressionarão prefeito contra lockdown; Comitê cobra posição do MPE

| FOLHA DE DOURADOS


Um grupo de empresários passou o final de semana articulando, pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, carreata nesta segunda-feira (31) para pressionar o prefeito Alan Guedes a abrandar o decreto que instituiu o lockdown em Dourados por 14 dias, a fim de conter o avanço da pandemia da covid-19 no município.

Os empresários querem pelo menos autorização para trabalhar internamente em suas empresas e a comercialização através do delivery. Na verdade, a maioria dos setores da economia irá pressionar Alan Guedes para o relaxamento das medidas previstas no decreto.

No sábado, enquanto era entrevistado pelo radialista e deputado estadual Marçal Filho, na 94 FM, um grupo de jardineiros se manifestou (respeitando as normas de biossegurança) em frente do edifício (Prédio das Araras) onde fica a emissora, na Avenida Weimar Torres.

Na entrevista, Alan Guedes disse que tomou uma “decisão pessoal” obedecendo critérios científicos “depois de ouvir técnicos”, mas admitiu rever “alguns pontos do decreto”.

“Vamos analisar a pertinência de algumas questões que podem ter ficado de fora, somos humanos, podemos errar, vamos deliberar se houver uma demanda de algum segmento que possa funcionar, aí nós vamos deliberar no conselho extraordinário criado pra isso”, disse o prefeito.

Até à noite de ontem a listagem da manifestação contava com 100 adesões à carreata, que, em tese, desafia a autoridade do prefeito, já que, pelo decreto, está subentendida a proibição de circulação da população pelas vias públicas, salvo casos específicos como a ida a supermercados, açougues, farmácias, postos de combustíveis e unidades de saúde, entre outros.

A concentração dos veículos está marcada nas imediações do Parque Antenor Martins, no Jardim Flórida. Às 10 horas, os empresários seguirão até a Prefeitura de Dourados, na rua Coronel Ponciano, onde uma comissão pretende ser recebida pelo prefeito.

O evento não deve ter apoio da Associação Comercial e Empresarial de Dourados (ACED), que na sexta-feira (28) divulgou um manifesto sobre o lockdown. Embora tenha se posicionado contra a decisão de Alan Guedes, a entidade se resignou acatando o decreto do Poder Executivo de Dourados.

Quem também se posicionou contra o lockdown foi o presidente do Sindicato dos Comerciários de Dourados (Secod), Pedro Lima. À Folha de Dourados ele declarou que “infelizmente mais uma vez a classe comerciária não foi ouvida e, os comerciários que trabalham no ramo de alimentação, (mercados, supermercado, frutarias etc), e que atendem a população como um todo, continuarão expostos ao vírus”.

Ele entende a necessidade de “manter esse setor aberto, mas com a redução do número de empregados, mantendo em, no máximo 40% dos trabalhadores trabalhando no sistema de revezamento, bem como determinar a redução da utilização e permanência de consumidores nesses espaços físicos em, no máximo 30%”.

Assim, de acordo com Pedro Lima “os trabalhadores estariam mais seguros, a população atendida e o Poder Público em condições de acompanhar e fiscalizar”, disse, defendendo ainda “medidas mais restritivas com barreiras sanitárias na entrada da cidade, permitindo apenas a entrada de quem tiver necessidade comprovada de atendimento médico especializado”.

Já o coordenador do Comitê de Defesa Popular de Dourados, Franklin Schmalz da Rosa, cobrou ontem, em postagem nas redes sociais, providências do Ministério Público Estadual (MPE) para impedir a carreata. De acordo com ele “empresas/empresários” querem ver “saúde pública de Dourados colapsar”.

Na sexta-feira (28), Franklin Schmalz foi notificado pelo MPE de seria responsabilizado caso a manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro, que estava prevista para a manhã de sábado (29), na Praça Antonio João, fosse realizada.

No comunicado, o MPE explicitava: “Por meio do presente, o senhor, na condição de Coordenador do Comitê está sendo diretamente cientificado de que, acaso seja realizado o evento que acarrete a aglomeração de pessoas, haverá a responsabilização de todos os envolvidos, no âmbito cível e criminal (artigo 268 do Código Penal), com toda a proporcionalidade que o caso demanda.”

O Comitê acatou a recomendação do MPE e divulgou a seguinte nota: “As entidades que compõem o comitê, diante desta recomendação do MP que prevê a criminalização das manifestações, se sentiram intimidadas. Nesse sentido e pela preservação das organizações e dos militantes de suas bases, o Comitê de Defesa Popular está suspendendo a organização do ato previsto para amanhã (29), marcado para às 08h na Praça Antônio João”.

“Nos deparamos com uma investida desproporcional contra o direito fundamental à manifestação e que visa, antes de mais nada, a desmobilização dos movimentos e protestos. Isso, mesmo com todas as medidas e protocolos de segurança previstos pela nossa organização e mesmo com a constatação de que a omissão e a irresponsabilidade das autoridades é que fez com que nossa cidade chegasse à situação crítica atual”.

“Diante do teor da recomendação e acreditando que ela se estende para além da organização da manifestação, a tornamos pública para que todas as pessoas que pretendiam sair às ruas amanhã (29) tenham conhecimento”.



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