Em Dourados, mais de 200 mulheres são motoristas de aplicativos

| O PROGRESSO


Sandra Noro diz que já sofreu preconceito no trabalho - Crédito: Divulgação

Trabalhar como motorista de aplicativo parece uma tarefa fácil, mas não é. A profissão enfrenta diversos desafios. Atualmente, o preço do combustível em alta e o valor das tarifas cobrados pelos aplicativos desanimou a categoria.

Outro fator que assombra os motoristas são os perigos da rotina de carregar pessoas desconhecidas em seu veículo, sem saber o que os espera. Se para os homens já é difícil, a situação piora para as mulheres que além dos riscos de violência , enfrentam outras barreiras como o machismo e preconceito.

É o caso de Sandra Noro, de 47 anos, que trabalha como motorista particular e motorista de aplicativo há 2 anos. Começou nos APPs como uma renda extra e hoje vive disso, ela sente na pele todos os dias as inseguranças de atuar nessa área. “Me sinto insegura, não por ser mulher, mas porque colocamos pessoas estranhas em nosso carro e nunca sabemos o que nos espera a cada chamada.”

Aproximadamente 200 mulheres dirigem para os 7 aplicativos que operam em Dourados atualmente. A maioria só trabalha durante o dia, porque a noite o número de assédios é muito maior. Sandra explica que felizmente nunca sofreu violência física, mas que é comum passar por outras situações constrangedoras com os passageiros. “Enfrento preconceito, machismo, e já sofri agressão verbal. Muitos homens não aceitam que algumas mulheres possam optar em trocar um fogão por um volante. Já ouvi “Você não tem casa ou marido para cuidar?”. Respondo que sou motorista profissional, minha profissão é dirigir e que trabalho para pagar meus boletos e defender a ração das minhas “princesas” (animais de estimação). Imponho respeito através da minha postura”. 

Deixar de trabalhar nunca foi uma opção para a motorista, que enfrenta a rotina com força e determinação. “Uso sempre essa frase: Lugar de mulher é onde ela quiser! Todos os dias dobro meus joelhos, falo com Deus, me visto de coragem e saio para trabalhar. Quando volto para casa, agradeço a Deus por me amar e me cuidar o tempo todo”, conclui Noro.



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