Paciente oncológico deve ser prioritário na vacinação, defende médico da Unifesp

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O pesquisador Ramon Andrade de Mello destaca que o tratamento não deve ser interrompido
A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica estima que 1,5 milhão de brasileiros estejam em tratamento oncológico. Diante desse quadro, a instituição encaminhou ofício ao Ministério da Saúde solicitando prioridade para esses pacientes na vacinação contra o novo coronavírus. A taxa de mortalidade desse grupo se mostrou seis vezes maior do que o índice global de mortalidade por Covid-19 segundo pesquisa realizada pelo grupo Oncoclíncias, publicada no Journal of Clinical Oncology.

O oncologista Ramon Andrade de Mello, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Uninove e da Faculdade de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal), defende que esses pacientes tenham prioridade na vacinação: "Uma parcela significativa desse grupo está em tratamento com medicamentos que contribuem para a redução de respostas imunológicas. Em muitos casos, eles precisam sair de casa para ir até uma clínica, aumentando os riscos de serem infectados".

Durante a pandemia, hospitais, clínicas e consultórios têm registrado queda na procura para o diagnóstico e tratamento oncológico "Esses pacientes precisam de acompanhamento dos especialistas e também continuar com a medicação. Quanto mais cedo fizermos o tratamento, maiores serão as chances de resultados positivos", aponta Ramon de Mello.
O pesquisador da Unifesp lembra ainda que o paciente deve consultar o médico antes da vacinação. "Para alguns casos, é preciso fazer uma avaliação do melhor momento. Ainda não temos um consenso se a imunossupressão induzida pela quimioterapia e até o uso de corticoides podem comprometer a proteção advinda da vacinação. Para determinados pacientes, a recomendação é evitar tomar a vacina nos períodos desse tratamento".

Sobre Ramon Andrade de Mello
Oncologista clínico e professor adjunto de Cancerologia Clínica da Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ramon Andrade de Mello tem pós-doutorado em Pesquisa Clínica no Câncer de Pulmão no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra) e doutorado (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal).

O médico tem título de especialista em Oncologia Clínica, Ministério da Saúde de Portugal e Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO). Além disso, Ramon tem título de Fellow of the American College of Physician (EUA) e é membro do Comitê Educacional de Tumores Gastrointestinal (ESMO GI Faculty) da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (European Society for Medical Oncology - ESMO), Membro do Conselho Consultivo (Advisory Board Member) da Escola Europeia de Oncologia (European School of Oncology - ESO) e ex-membro do Comitê Educacional de Tumores do Gastrointestinal Alto (mandato 2016-2019) da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (American Society of Clinical Oncology - ASCO).

O oncologista é do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital 9 de Julho, em São Paulo, SP, e do Centro de Diagnóstico da Unimed (CDU), em Bauru (SP).



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