Projetos que doam absorventes a mulheres vulneráveis crescem no Brasil

O uso de sacos plásticos, miolo de pão e pedaços de pão aumenta o risco de infecções. As mulheres dependem da ajuda de coletivos feministas

| MDEMULHER / COLABOROU: MARIA CLARA SERPA


 (matka_Wariatka/ThinkStock)

Um único absorvente custa em torno de 50 centavos. Longe de ser o artigo de higiene mais caro, ainda assim é um artigo de luxo para uma parcela das mulheres no mundo. No Brasil, mais da metade de população é de mulheres e parte delas, as que vivem em situação de rua ou fazem parte das classes mais baixas, muitas vezes tem que recorrer a qualquer outro material para fazer as vezes de absorvente. Há relatos do uso de sacolas plásticas, pedaços de papelão e até miolo de pão para conter o sangramento. Isso é um risco enorme, pois pode levar a infecções. Segundo uma pesquisa da marca Sempre Livre com mais de 9 mil participantes, 19% das mulheres entre 18 e 25 anos não tem acesso aos produtos por não terem dinheiro.

Mesmo sendo de extrema necessidade para a maioria das mulheres e alguns homens trans, a distribuição dos artigos de higiene menstrual não foi uma preocupação dos governos por muito tempo. Nos últimos anos, com o aumento de dados e de mulheres reivindicando o fim da pobreza menstrual – termo criado na Franca que se refere à falta de acesso aos produtos de higiene no período –, o debate finalmente despertou entre políticos brasileiros. Em junho de 2019, um projeto de lei de autoria do Leonel Brizola Neto (PSOL)  foi aprovado no município do Rio de Janeiro e prevê que absorventes estejam disponíveis para alunas da rede municipal em máquinas nos banheiros das escolas. O projeto é de extrema importância, porque muitas meninas perdem dias de aula por não terem os artigos de higiene e ficam impossibilitadas de sair de casa. Ainda assim, isso é muito pouco.

Alguns países, como Quênia, Índia, Malásia, Austrália, Canadá e alguns estados dos EUA já conseguiram garantir a isenção de impostos sobre o produto. Mas no Brasil um único absorvente tem taxação média de mais ou menos 35% sobre seu preço, segundo dados do Impostômetro. Enquanto nada é feito por aqui, meninas e mulheres buscam ajudar como podem. As estudantes Talita Soares, 21 anos, e Carol Chiarello , 24, perceberam em uma conversa quão privilegiadas são por poderem escolher o tipo de absorvente que preferem e terem acesso a eles. Criaram o projeto Tô de Chico, que faz doações mensais de absorventes para mulheres em situação de rua no Rio de Janeiro e Niterói desde o início de 2019.

JÁ ARRECADAMOS 25 PACOTES E 386 ABSORVENTES!!! Estamos muito felizes!


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