As Clínicas Empresariais marcaram o encerramento do projeto de extensão Gestão em Tempos de Crise: Oficina de Negócios e Mudanças de Paradigmas Empresariais iniciado em 20 de abril pelos professores da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE) da UFGD.
 
Essa etapa aconteceu de 27 a 30 abril e teve como foco um debate, semelhante a uma consultoria, abordando cada um dos 23 casos apresentados por micro e pequenos empresários de todo o Brasil, que anteriormente enviaram perguntas por meio de um questionário on-line criado pelo projeto.
 
Foram abordadas as áreas de Processos Empresariais, Finanças e Custos, Marketing, Logística de Serviço e Gestão de Pessoas. O atendimento aos empresários inscritos foi realizado pela plataforma Google Meet com a participação por dia de aproximadamente 60 pessoas entre empresários, professores, alunos e demais participantes interessados.
 
As Clínicas Empresariais envolveram vários professores da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE): Jane Corrêa Alves Mendonça (coordenadora do projeto), Antonio Carlos Vaz Lopes, Régio Marcio Toesca Gimenes, Narciso Bastos Gomes, Erlaine Binotto, Amilton Luiz Novaes, Tânia Cristina Costa Calarge, Rômulo Carvalho Cristaldo, José Jair Soares Viana, Vera Luci de Almeida, Fábio Mascarenhas Dutra, Eduardo Luis Casarotto e Paulo Sérgio Vasconcelos.
 
ORIENTAÇÕES

Com objetivo de repercutir algumas das orientações feitas durante a Clínica Empresarial, confira uma síntese dos pontos debatidos no dia 28 de abril pelo professor Régio Marcio Toesca Gimenes:

- Comércio on-line se torna protagonista
A partir da pandemia do novo coronavírus, o comércio on-line deixa de ser uma opção secundária de compras e passa a ser um protagonista importante para que o empresário aproxime seu produto ou serviço do cliente. Mesmo que a empresa seja pequena, se quiser sobreviver, precisará investir em plataformas digitais competentes. Vai ficar muito difícil manter receitas ou até ter crescimento de receitas e ganhar participação de mercado caso o empresário não leve em consideração que o comércio on-line veio para ficar.
 
-  Aprimorar a gestão da empresa e ter um bom diagnóstico
Para uma gestão eficaz, é importante definir metas, monitorar se essas metas estão sendo cumpridas e caso não estejam, propor ações corretivas. Ninguém administra uma empresa sem estabelecer metas, sem controlar o seu negócio a ponto de saber se estas metas estão sendo atingidas ou não. O empresário precisa ter um bom diagnóstico em todas as grandes áreas. Na área de recursos humanos, é preciso conhecer a motivação dos funcionários. Na área de produção, é fundamental ter um bom planejamento e controle do processo produtivo. Na área de marketing, é necessário ter muita criatividade para inovar, principalmente agora com essa ruptura, em que o cliente tem muita vontade de ter espaços de experimentação das marcas, mas onde o espaço físico não vai ser o mais relevante. Na área financeira, é importantíssimo ter um apoio da contabilidade, não daquela contabilidade que só envia as guias de recolhimento de tributos para o empresário pagar, mas da contabilidade que apoia o processo decisório, que ajuda a levantar todos os gastos da empresa, classificando-os em fixos, variáveis, diretos, indiretos. Uma contabilidade que permite comparar a evolução desses gastos em proporção ao faturamento e ainda definir o ponto de equilíbrio, que é o faturamento mínimo que o empresário tem que ter para começar a obter o lucro operacional. Uma contabilidade que permita elaborar um fluxo de caixa para ter a informação sobre a capacidade de pagamento da empresa nos próximos dias, semanas, quinzenas, meses. Saber quais serão suas entradas e prováveis saídas, para que prevendo em um dado momento um déficit de caixa, por exemplo, possa antecipar recebimentos propondo descontos ou efetivamente negociando prorrogações de prazos de obrigações junto a instituições financeiras e fornecedores, na busca do equilíbrio financeiro da empresa. Além disso, é importante que o empresário saiba o impacto de cada um dos gastos na margem de lucro da empresa e por fim, qual é o retorno do capital investido no negócio. Na realidade, a fase de diagnóstico (conhecer a empresa) é fundamental para apoiar o processo decisório. É fundamental que o empresário se qualifique em todas as áreas (produção, finanças, comercialização, recursos humanos, tecnologias), com o menor dispêndio de caixa possível. Hoje são muitas as possibilidades de obter conhecimento, como por exemplo, aproveitando cursos e palestras oferecidos gratuitamente online.
 
- Não é hora de fazer investimentos, é hora de cortar gastos fixos
Sobre os investimentos, o lema agora é sobreviver. Para sobreviver o empresário deve cortar todos os gastos possíveis, desde que esses gastos não reduzam a receita de vendas. Busque uma estrutura enxuta e reduza, na medida do possível, os gastos fixos. Esses gastos são os que, vendendo produtos ou não, permanecem e, além de difíceis de cortar, são os mais perigosos, porque na medida em que crescem, ou que são altos em proporção ao faturamento da empresa, exigem mais dias de venda para serem cobertos e, somente após esta cobertura, ocorrerá o lucro operacional, portanto, gastos fixos elevados é sinônimo de maior risco para o empresário.
O empresário também precisa, a partir desse controle e gestão de gastos, ter cuidados com os investimentos. Não é hora de fazer investimentos, porque o nosso ambiente é de muita incerteza. Investimentos muitas vezes são financiados com capital de terceiros, ou seja, com dívidas. Mesmo com as taxas de juros dos empréstimos em declínio, como há enorme dificuldade em prever o montante de vendas, o aumento do endividamento pode piorar ainda mais a situação da empresa, caso o desequilíbrio financeiro já exista. O empresário pode até não ter lucro em sua atividade neste período de crise, para garantir que o seu negócio sobreviva, isto por si só, um grande ganho. Não é hora de fazer investimentos, é hora de cortar gastos fixos e negociar seus gastos variáveis (elementos de gastos com a aquisição de mercadorias ou produção), para que a empresa mantenha mais recursos em caixa, reserva muito necessária para atravessar este momento de turbulência. Toda a cautela é necessária, toda a reserva deve ser feita neste sentido.
 
- Sacrifique até a pessoa física do empresário
A retirada de pró-labore também deve ser a mínima possível para o sustento do empresário. Reforce o capital de giro. Se tiver algum imóvel ou algum bem da empresa que não utilize na atividade operacional, venda assim que possível, mesmo abaixo do preço historicamente desejado, esse é o momento de converter os ativos não em caixa, se a intenção for manter o negócio.
 
SOBRE O PROJETO
Com 462 inscritos de todas as regiões do Brasil e também de países como Colômbia, Bolívia e Paraguai, o projeto de extensão Gestão em Tempos de Crise: Oficina de Negócios e Mudanças de Paradigmas Empresariais começou em 20 de abril, envolvendo empresários, empreendedores, colaboradores de organizações comerciais, estudantes e comunidade em geral.

A iniciativa foi dos professores da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE) da UFGD com o apoio da Faculdade de Educação a Distância (EaD) e contou com cinco oficinas e as Clínicas Empresariais. Foram realizadas cinco webconferências, disponíveis para acesso gratuito no Youtube: “Gestão dos negócios: ferramentas de gestão e processos”; “Gestão financeira dos negócios em tempos de crise” ; “Gestão de Marketing para enfrentar a crise e garantir as vendas”; “Serviço logístico: gestão de compras e nível de serviços”; "Gestão de pessoas: mudanças de paradigmas via treinamento e desenvolvimento de pessoal".

Entre os objetivos do curso está a mudança/melhorias no atendimento (presencial ou online) em tempos de coronavírus, por meio da prescrição de atitudes gerenciais voltadas para o desenvolvimento de pessoas na organização, através de ferramentas de gestão (planejamento, organização, direção e controle) e sua aplicação prática nas organizações.



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE